A casa
adormecida revisito:
as cadeiras da varanda
os quartos, as camas
o armário da infância
e o piso de granito.
A música das portas
os copos na cristaleira
os livros, os quadros
a mesa coberta de poeira.
A casa
adormecida revisito.
Entre coisas tão banais
adormeço e sonho
sonho e adormeço... Nada mais.
sábado, 17 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Plural
quando busco
na leveza das sombras
um descanso para os meus dias
quando os silêncios
de onde nunca estive
acordam os sonhos de quem amei
quando tudo reclama sentido
e um bater de desejos
desvenda lamentos cotidianos
então mais que depressa
colho da ausência meu destino
e por um momento arranco de mim
o risco:
porque tudo me leva ao precipício!
na leveza das sombras
um descanso para os meus dias
quando os silêncios
de onde nunca estive
acordam os sonhos de quem amei
quando tudo reclama sentido
e um bater de desejos
desvenda lamentos cotidianos
então mais que depressa
colho da ausência meu destino
e por um momento arranco de mim
o risco:
porque tudo me leva ao precipício!
Silêncio
meu coração
está em silêncio:
não bate
sente apenas.
um sentimento
que vem de longe
como a chuva
que começa a cair
na solidão da rua.
faz tempo...
tenho a alma nua.
vê: o corpo
não acostumou
com a falta sua!
está em silêncio:
não bate
sente apenas.
um sentimento
que vem de longe
como a chuva
que começa a cair
na solidão da rua.
faz tempo...
tenho a alma nua.
vê: o corpo
não acostumou
com a falta sua!
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
Saber que não somos
Meu caminho
não traz novidades...
A cidade me olha indiferente
nessa manhã
onde os pássaros se encontram.
Não, meu caminho não é cada manhã:
existe a possibilidade do que não sonhamos!
Única certeza: saber que não somos.
não traz novidades...
A cidade me olha indiferente
nessa manhã
onde os pássaros se encontram.
Não, meu caminho não é cada manhã:
existe a possibilidade do que não sonhamos!
Única certeza: saber que não somos.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Fado triste
Minha alma está povoada
do amor que enfim cresceu.
Depois... Oh, abandonada
por um que jamais fui eu.
do amor que enfim cresceu.
Depois... Oh, abandonada
por um que jamais fui eu.
sábado, 19 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Legado
Em mim
uma multidão
habita.
Guardo
essa consciência
líquida
incrédula
dos vários que sou.
Minha nau partiu
comandada por muitos...
De mim
único
nada restou.
uma multidão
habita.
Guardo
essa consciência
líquida
incrédula
dos vários que sou.
Minha nau partiu
comandada por muitos...
De mim
único
nada restou.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Canção para esquecer
Quando
perdi você
pela segunda vez
o dia acordou calado...
sua mão quente e carinhosa
me fez falta.
Quando
perdi você
pela segunda vez
minha pele recolheu arrepios:
fiquei só... e com frio.
perdi você
pela segunda vez
o dia acordou calado...
sua mão quente e carinhosa
me fez falta.
Quando
perdi você
pela segunda vez
minha pele recolheu arrepios:
fiquei só... e com frio.
Fado
O mar
(en)
cantava
um coração
que levava
a vida triste e vazia.
O mar
mais que o vento
sabia
que o coração de amar...
morria.
Diz vento triste:
seu canto... o que parecia?
(en)
cantava
um coração
que levava
a vida triste e vazia.
O mar
mais que o vento
sabia
que o coração de amar...
morria.
Diz vento triste:
seu canto... o que parecia?
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
A primeira vez
Quando
perdi você
pela primeira vez
um vento frio percorreu
meu corpo só... congelei:
era o dia perdendo o sol.
Quando
perdi você
pela primeira vez
chorei feito criança
escondido... desesperado.
Quando
perdi você
pela primeira vez
o coração jogou fora
todas as lembranças...
E chorei, chorei feito criança!
perdi você
pela primeira vez
um vento frio percorreu
meu corpo só... congelei:
era o dia perdendo o sol.
Quando
perdi você
pela primeira vez
chorei feito criança
escondido... desesperado.
Quando
perdi você
pela primeira vez
o coração jogou fora
todas as lembranças...
E chorei, chorei feito criança!
Predestinado
Em meu coração
um segredo pulsa
triste... amargo.
Em meu coração
uma ramagem
densa
de dor e de céu.
Em meu coração
teço um amor
mais claro... raro:
melhor que o seu!
um segredo pulsa
triste... amargo.
Em meu coração
uma ramagem
densa
de dor e de céu.
Em meu coração
teço um amor
mais claro... raro:
melhor que o seu!
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Oculto
O segredo
ficou guardado
durante muito tempo.
Era o medo... o desejo
de querer... de me perder
neste querer!
Um segredo
assim tão nobre
não se entrega facilmente.
São os anos... pobres enganos
de quem já sofreu... e sofre de amor!
O segredo
ficou fechado
durante muito tempo.
Era o medo... o desejo de me perder.
O segredo é você!
ficou guardado
durante muito tempo.
Era o medo... o desejo
de querer... de me perder
neste querer!
Um segredo
assim tão nobre
não se entrega facilmente.
São os anos... pobres enganos
de quem já sofreu... e sofre de amor!
O segredo
ficou fechado
durante muito tempo.
Era o medo... o desejo de me perder.
O segredo é você!
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Calendário
moça nua
na janela
gritou pela foto...
todos os sentidos
vibraram naquele instante!
sua sombra em minha vida
moça bonita e nua na janela.
pensei um poema... ela merecia!
um poema com seu peso em minha vida.
com seus olhos, seu cheiro... ou coisa parecida.
na janela
gritou pela foto...
todos os sentidos
vibraram naquele instante!
sua sombra em minha vida
moça bonita e nua na janela.
pensei um poema... ela merecia!
um poema com seu peso em minha vida.
com seus olhos, seu cheiro... ou coisa parecida.
Conhecimento do pássaro
só os pássaros compreendem
o silêncio do coração... só os pássaros.
as mãos arrancam do tempo a memória:
palavras... acenos... lágrimas... sangue.
o hálito da noite
entra calmamente no quarto do poeta.
é pequeno o quarto e nas paredes
retratos: pai, mãe, irmãos, amores...
e o mundo que julgava saber de cor.
mas o poeta está distante da palavra
e o coração querendo ser semente
procura desesperado por outro chão.
voar é preciso...
é preciso enxergar a vida e sua história.
encontrar nas árvores o nome escondido.
descobrir nas pedras molhadas das ruas
os amores desfeitos, o corte na carne
o perfume que salta áspero da terra.
é preciso ouvir a vida e sua história.
escutar o canto do pássaro noturno
no silêncio machucado do coração...
só os pássaros compreendem
o silêncio do coração... só os pássaros.
o silêncio do coração... só os pássaros.
as mãos arrancam do tempo a memória:
palavras... acenos... lágrimas... sangue.
o hálito da noite
entra calmamente no quarto do poeta.
é pequeno o quarto e nas paredes
retratos: pai, mãe, irmãos, amores...
e o mundo que julgava saber de cor.
mas o poeta está distante da palavra
e o coração querendo ser semente
procura desesperado por outro chão.
voar é preciso...
é preciso enxergar a vida e sua história.
encontrar nas árvores o nome escondido.
descobrir nas pedras molhadas das ruas
os amores desfeitos, o corte na carne
o perfume que salta áspero da terra.
é preciso ouvir a vida e sua história.
escutar o canto do pássaro noturno
no silêncio machucado do coração...
só os pássaros compreendem
o silêncio do coração... só os pássaros.
Pergunta ao pó
à tarde
um canto de morte
e de salvação.
a esperança arrastada
por um corcunda
sem nome e sem pátria.
na cruz da estrada... o sol!
o olhar da tarde
vigia a terra
que se estende aberta.
um canto
de morte e de salvação
esconde sombras resignadas
no pó da estrada.
a palavra
sem rumo
aprende a linguagem
das serpentes.
no sal da cruz: lágrima.
no pó da estrada: o nada!
morto
às margens do caminho
o sonho.
um canto de morte e de salvação
anuncia que a tarde
se abre em recordações.
a vida na sarjeta...
no silêncio da paisagem:
o pó da estrada e uma prece dolorida.
pergunta
pergunta ao pó sobre a vida!
um canto de morte
e de salvação.
a esperança arrastada
por um corcunda
sem nome e sem pátria.
na cruz da estrada... o sol!
o olhar da tarde
vigia a terra
que se estende aberta.
um canto
de morte e de salvação
esconde sombras resignadas
no pó da estrada.
a palavra
sem rumo
aprende a linguagem
das serpentes.
no sal da cruz: lágrima.
no pó da estrada: o nada!
morto
às margens do caminho
o sonho.
um canto de morte e de salvação
anuncia que a tarde
se abre em recordações.
a vida na sarjeta...
no silêncio da paisagem:
o pó da estrada e uma prece dolorida.
pergunta
pergunta ao pó sobre a vida!
Erosão
o verso começa
na busca certa
(garimpo)
da palavra
no sentimento
contido (escondido)
mas não estou seguro da palavra
porque fugiu
dos meus olhos
o sentimento
do mundo... inexplicavelmente
a palavra
e
eu
nos abandonamos
não estou seguro da palavra
e
o verso
começa
a erodir!
na busca certa
(garimpo)
da palavra
no sentimento
contido (escondido)
mas não estou seguro da palavra
porque fugiu
dos meus olhos
o sentimento
do mundo... inexplicavelmente
a palavra
e
eu
nos abandonamos
não estou seguro da palavra
e
o verso
começa
a erodir!
Escondido
escrever um verso: improvável.
lá fora chove... no branco não
chove palavra, se(o)mente água.
que sucede à água? (amor)nada
que fazer da palavra? on(a)gua.
sensação cristalina: minha rima.
tudo desa(parece) um belo dia!
o verso improvável, quem diria
acontece(u) no oposto do querer.
perdida no bosque, ao entardecer
esboçada nua no ventre da pedra
brilha impre(visível) a palavra.
no branco da folha o desafio:
escre(ver) o ver(so) sob o vazio
da inspiração... do não sentido!
lá fora chove... no branco não
chove palavra, se(o)mente água.
que sucede à água? (amor)nada
que fazer da palavra? on(a)gua.
sensação cristalina: minha rima.
tudo desa(parece) um belo dia!
o verso improvável, quem diria
acontece(u) no oposto do querer.
perdida no bosque, ao entardecer
esboçada nua no ventre da pedra
brilha impre(visível) a palavra.
no branco da folha o desafio:
escre(ver) o ver(so) sob o vazio
da inspiração... do não sentido!
Inexato
nem sempre estamos juntos
nem sempre.
nem sempre nos recolhemos
nos mesmos sentimentos
nem sempre.
nem sempre percorremos
o mesmo mapa, o mesmo sonho
nem sempre.
nem sempre apanhamos
as mesmas pedras do caminho
nem sempre o mesmo carinho
nem sempre.
nem sempre beijamos com a mesma boca
nem sempre
nem sempre.
nem sempre escutamos o tempo que passa
nem sempre repetimos o nosso dia perfeito
nem sempre o amor dá seu jeito
nem sempre
nem sempre
nem sempre...
nem sempre.
nem sempre nos recolhemos
nos mesmos sentimentos
nem sempre.
nem sempre percorremos
o mesmo mapa, o mesmo sonho
nem sempre.
nem sempre apanhamos
as mesmas pedras do caminho
nem sempre o mesmo carinho
nem sempre.
nem sempre beijamos com a mesma boca
nem sempre
nem sempre.
nem sempre escutamos o tempo que passa
nem sempre repetimos o nosso dia perfeito
nem sempre o amor dá seu jeito
nem sempre
nem sempre
nem sempre...
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Outonal
O dia principiou chuvoso.
Da janela
observo as árvores caladas.
Parece que todos estão em silêncio.
Escuto a chuva caindo...
Sou criança
Sou criança
brincando com barquinhos de papel
no rio que se forma entre a rua
e o meio-fio da calçada.
e o meio-fio da calçada.
Sou adulto pensando nos versos para a amada!
A tarde continua chuvosa.
Lembranças fazem de mim menino triste e solitário.
Em que parte do meu sonho
ficaram presas as minhas lembranças?
Em meu coração é que chove
e quanto mais escrevo mais líquido fica o dia.
O dia principiou chuvoso.
Meus olhos procuram os seus e encontro seu retrato
Lembranças fazem de mim menino triste e solitário.
Em que parte do meu sonho
ficaram presas as minhas lembranças?
Em meu coração é que chove
e quanto mais escrevo mais líquido fica o dia.
O dia principiou chuvoso.
Meus olhos procuram os seus e encontro seu retrato
- continua linda!
Vem... Sol da minha vida e aquece meu coração nublado.
Vem... Sol da minha vida e aquece meu coração nublado.
Alma
sua alma:
música
do mar
cheiro
da brisa
garoa nua
luz da lua
pelo felino
riso menino...
sua alma:
minha paz!
música
do mar
cheiro
da brisa
garoa nua
luz da lua
pelo felino
riso menino...
sua alma:
minha paz!
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Estrela
à noite
uma estrela
brilha mais que as outras.
à noite
solitária
uma menina
brilha mais que as outras:
minha estrela!
uma estrela
brilha mais que as outras.
à noite
solitária
uma menina
brilha mais que as outras:
minha estrela!
O que dói na solidão
O que dói na solidão
é essa batalha que não termina
porque pensar em você virou rotina.
O que mais dói na solidão
é quando no silêncio da noite
sua presença vem dar em mim.
O que dói mesmo na solidão
é esse desejo louco que tenho
de olhar nos olhos seus e não poder falar
porque cheguei depois... bem depois.
O que machuca demais na solidão
é esse gosto amargo de saudade
do sorriso seu... da boca sua.
É ter conhecido você
e aprendido a sentir em tão pouco tempo
a dor cansada da sua ausência.
é essa batalha que não termina
porque pensar em você virou rotina.
O que mais dói na solidão
é quando no silêncio da noite
sua presença vem dar em mim.
O que dói mesmo na solidão
é esse desejo louco que tenho
de olhar nos olhos seus e não poder falar
porque cheguei depois... bem depois.
O que machuca demais na solidão
é esse gosto amargo de saudade
do sorriso seu... da boca sua.
É ter conhecido você
e aprendido a sentir em tão pouco tempo
a dor cansada da sua ausência.
domingo, 23 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Redescoberta
a saudade
atravessa minha vida
como um rio profundo.
penetra meu amor
em minha vida... em meu rio
cura as feridas
apaga as cicatrizes que restaram
anima o coração desesperançado!
a saudade
atravessa minha vida
como um rio profundo.
Descoberta
Depois de tanto tempo encontrei você.
O sorriso denunciou que era você.
Depois de tanto tempo nada mudou.
Mas não sou o mesmo... E a memória pesa.
Como dizer que sentia sua falta
em cada lembrança trazida pelo vento?
Como mostrar que continuo sangrando
e que sou o mesmo não sendo o mesmo?
Não tive a única filha que sonhamos.
Não deixei seu nome nas árvores.
Não construí casa... O único bem que restou
foi o gosto amargo daquele último beijo.
Depois de tanto tempo encontrei você.
Não... Não encontrei... É outra agora!
Você ficou na distância, guardada
escondida na folha de um livro de matemática
no sonho de crescermos e de vivermos juntos.
(as mãos do tempo destravam a chave
das palavras mágicas: amor e saudade)
Depois de tanto tempo encontrei você
e já não sei o que é amar... Vivo apenas.
O coração vazio caminha descompassado.
Fujo das lembranças e de tudo de você
que ainda insiste, está marcado em mim.
Depois de tanto tempo não chegou o fim!
O sorriso denunciou que era você.
Depois de tanto tempo nada mudou.
Mas não sou o mesmo... E a memória pesa.
Como dizer que sentia sua falta
em cada lembrança trazida pelo vento?
Como mostrar que continuo sangrando
e que sou o mesmo não sendo o mesmo?
Não tive a única filha que sonhamos.
Não deixei seu nome nas árvores.
Não construí casa... O único bem que restou
foi o gosto amargo daquele último beijo.
Depois de tanto tempo encontrei você.
Não... Não encontrei... É outra agora!
Você ficou na distância, guardada
escondida na folha de um livro de matemática
no sonho de crescermos e de vivermos juntos.
(as mãos do tempo destravam a chave
das palavras mágicas: amor e saudade)
Depois de tanto tempo encontrei você
e já não sei o que é amar... Vivo apenas.
O coração vazio caminha descompassado.
Fujo das lembranças e de tudo de você
que ainda insiste, está marcado em mim.
Depois de tanto tempo não chegou o fim!
Resignado
a história da minha vida:
o sorriso escondido no escuro
palavras rabiscadas em versos - no muro
a saudade que ficou para sempre
e este olhar tão comum sobre as coisas...
o sorriso escondido no escuro
palavras rabiscadas em versos - no muro
a saudade que ficou para sempre
e este olhar tão comum sobre as coisas...
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Segredo
Queria muito
não te amar assim
ou pelo menos
por tanto te amar
saber dizer: te amo!
Em vez disso
eu me engano:
por dentro eu falo
por fora me calo
por ora me dano...
Ou
melhor ainda:
finjo que não sei
e não ouso saber
que te amo!
não te amar assim
ou pelo menos
por tanto te amar
saber dizer: te amo!
Em vez disso
eu me engano:
por dentro eu falo
por fora me calo
por ora me dano...
Ou
melhor ainda:
finjo que não sei
e não ouso saber
que te amo!
Tarde
como um rio tranquilo
a tarde. porque os olhos
ficaram presos, acorrentados
na impossibilidade do sonho
como um rio tranquilo
a tarde lá fora. mas na sala
onde me encontro, dentro
como bala perdida
o coração procura o seu.
porém não posso, não devo!
porque há uma solidão de lábios
em minha boca, a tarde tranquila
como um rio tranquilo lá fora.
dentro, quebrar a janela
que me prende e nada muda.
no coração o amor e nada muda.
apenas em mim o que sinto
como essa lágrima que cai
na tarde tranquila como um rio.
mas dentro de mim o vazio.
fora de mim não há respostas...
a tarde. porque os olhos
ficaram presos, acorrentados
na impossibilidade do sonho
como um rio tranquilo
a tarde lá fora. mas na sala
onde me encontro, dentro
como bala perdida
o coração procura o seu.
porém não posso, não devo!
porque há uma solidão de lábios
em minha boca, a tarde tranquila
como um rio tranquilo lá fora.
dentro, quebrar a janela
que me prende e nada muda.
no coração o amor e nada muda.
apenas em mim o que sinto
como essa lágrima que cai
na tarde tranquila como um rio.
mas dentro de mim o vazio.
fora de mim não há respostas...
Sangrando
hoje
arranquei de mim
o que me tornava triste.
um corte profundo:
sangue
lágrimas
sonhos
o amor!
resto eu vazio...
ah, a dor
de não poder sonhar
de não poder amar!
hoje
arranquei de mim
o coração
as canções de amor.
a vida sozinha outra vez...
arranquei de mim
o que me tornava triste.
um corte profundo:
sangue
lágrimas
sonhos
o amor!
resto eu vazio...
ah, a dor
de não poder sonhar
de não poder amar!
hoje
arranquei de mim
o coração
as canções de amor.
a vida sozinha outra vez...
Fugir
meu coração
queria seguir
com o rio
sempre tão triste
sempre tão vazio.
apenas seguir...
meu coração
queria fugir do frio
fugir de mim
do homem atrás dos olhos
abandonar este olhar sombrio.
apenas fugir...
meu coração
queria seguir com o rio...
- meu coração é o rio
o rio da minha cidade
o rio da minha saudade.
queria seguir
com o rio
sempre tão triste
sempre tão vazio.
apenas seguir...
meu coração
queria fugir do frio
fugir de mim
do homem atrás dos olhos
abandonar este olhar sombrio.
apenas fugir...
meu coração
queria seguir com o rio...
- meu coração é o rio
o rio da minha cidade
o rio da minha saudade.
sábado, 15 de outubro de 2011
Éla
Éla
não olhava
como as outras
como nenhuma outra.
mas quando entrava na sala
e olhava nos meus olhos
o dia ficava suspenso
o homem se transformava em menino.
Éla
quando entrava na sala
fazia o coração pular de alegria...
hoje não!
não olhava
como as outras
como nenhuma outra.
mas quando entrava na sala
e olhava nos meus olhos
o dia ficava suspenso
o homem se transformava em menino.
Éla
quando entrava na sala
fazia o coração pular de alegria...
hoje não!
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Novamente você
você:
um oceano
de rosas submersas...
não sentido!
e não te toco
e não te encanto
e não me encontro.
um oceano
de rosas submersas...
e não me afogo!
um oceano
de rosas submersas...
não sentido!
e não te toco
e não te encanto
e não me encontro.
um oceano
de rosas submersas...
e não me afogo!
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Ultimato
quero me limpar
do cheiro do seu perfume
desfazer o nó que sua ausência
deu no meu coração.
quero mudar
a forma do seu corpo
que tão simplesmente
se encaixa no meu.
quero fugir da sua presença
esquecer o seu nome
livrar-me do que me oferece
dizer adeus...
do cheiro do seu perfume
desfazer o nó que sua ausência
deu no meu coração.
quero mudar
a forma do seu corpo
que tão simplesmente
se encaixa no meu.
quero fugir da sua presença
esquecer o seu nome
livrar-me do que me oferece
dizer adeus...
Entrega
procurava
no corpo do outro
a continuidade...
quando se instalou
dominou seus espaços
sentiu seu calor
bebeu da água
vibrou com seu cheiro
suou... se perdeu!
procurava
no corpo do outro
a sensibilidade...
quando se instalou
distraído
ficou sem saída
ficou sem respostas
prisioneiro da vida!
no corpo do outro
a continuidade...
quando se instalou
dominou seus espaços
sentiu seu calor
bebeu da água
vibrou com seu cheiro
suou... se perdeu!
procurava
no corpo do outro
a sensibilidade...
quando se instalou
distraído
ficou sem saída
ficou sem respostas
prisioneiro da vida!
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Fascinação
se tivesse palavras
para falar dessa menina
que me encanta
usaria de metáforas mágicas
infalíveis, certeiras...
talvez essa menina decidisse
entrar pela janela entreaberta
- como a brisa da madrugada -
e se aconchegasse em meu colo.
se tivesse palavras
faria essa menina adivinhar
os segredos do meu silêncio tímido
do meu olhar fascinado
e por um milagre repentino
talvez ela ficasse ao meu lado.
se existissem palavras
para falar dessas coisas do coração
falaria abertamente do meu coração tão só!
para falar dessa menina
que me encanta
usaria de metáforas mágicas
infalíveis, certeiras...
talvez essa menina decidisse
entrar pela janela entreaberta
- como a brisa da madrugada -
e se aconchegasse em meu colo.
se tivesse palavras
faria essa menina adivinhar
os segredos do meu silêncio tímido
do meu olhar fascinado
e por um milagre repentino
talvez ela ficasse ao meu lado.
se existissem palavras
para falar dessas coisas do coração
falaria abertamente do meu coração tão só!
Fuga
no meio da fuga
o coração pulsa um segredo.
no meio da fuga
os olhos refletem o medo.
no meio da fuga
mostro um amor que é leve.
no meio da fuga
o mapa das nossas palavras!
o coração pulsa um segredo.
no meio da fuga
os olhos refletem o medo.
no meio da fuga
mostro um amor que é leve.
no meio da fuga
o mapa das nossas palavras!
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Ainda você
pontualmente
de manhã bem cedo
:
o sol
o pássaro
o vento
- entrando pela janela
a oração
o cheiro do pão
saindo do forno
o café forte
o coração aberto
a saudade insistente de você...
pontualmente!
de manhã bem cedo
:
o sol
o pássaro
o vento
- entrando pela janela
a oração
o cheiro do pão
saindo do forno
o café forte
o coração aberto
a saudade insistente de você...
pontualmente!
Penso em você...
a lua
nos olhos
testemunha
a lágrima que cai
o grito da saudade.
é madrugada
penso em você:
meus medos
desaparecem
não há mais nada.
penso em você
quando amanhece
e esqueço a vida
por um momento.
penso em você
a todo instante
e louco sinto seu cheiro
chegando com o vento!
nos olhos
testemunha
a lágrima que cai
o grito da saudade.
é madrugada
penso em você:
meus medos
desaparecem
não há mais nada.
penso em você
quando amanhece
e esqueço a vida
por um momento.
penso em você
a todo instante
e louco sinto seu cheiro
chegando com o vento!
Quadrilha
Um poema tranquilo, sereno
Livre das decepções cotidianas.
Um poema onde a alegria fizesse morada
E com ela o colorido das horas matinais.
Que o sol trouxesse o perfume das manhãs
E as janelas abertas conversassem amenidades
Desinteressadas das matérias dos jornais.
Um poema que distanciasse homens e mulheres
Da arrogância das palavras...
E que as palavras lavrassem a paz!
Uma manhã... Uma sabiá cantando...
Uma semente lançada no campo.
Um poema que chamasse a atenção de todos.
Um poema onde o amor fizesse morada.
Um poema de amor!
Que Tereza encontrasse João e a felicidade.
Que Joaquim abraçasse a vida
E desfizesse as armadilhas do coração.
Um poema, meu Deus, um poema
Onde todos os nomes fossem pronunciados
E que fizesse de todas as Marias mães, filhas e tias.
Um poema que fizesse Wandréa sorrir!
Livre das decepções cotidianas.
Um poema onde a alegria fizesse morada
E com ela o colorido das horas matinais.
Que o sol trouxesse o perfume das manhãs
E as janelas abertas conversassem amenidades
Desinteressadas das matérias dos jornais.
Um poema que distanciasse homens e mulheres
Da arrogância das palavras...
E que as palavras lavrassem a paz!
Uma manhã... Uma sabiá cantando...
Uma semente lançada no campo.
Um poema que chamasse a atenção de todos.
Um poema onde o amor fizesse morada.
Um poema de amor!
Que Tereza encontrasse João e a felicidade.
Que Joaquim abraçasse a vida
E desfizesse as armadilhas do coração.
Um poema, meu Deus, um poema
Onde todos os nomes fossem pronunciados
E que fizesse de todas as Marias mães, filhas e tias.
Um poema que fizesse Wandréa sorrir!
Fica comigo
mais um dia
comigo... fica.
e a chuva passa
o sorriso volta.
mais um dia
comigo... fica.
e cantaremos o amor
como os pássaros
cantam a primavera!
não sentiremos frio
não sentiremos dor.
mais um dia...
e encontrarei
as palavras mais belas.
me deitarei em seu colo
com minha esperança maior.
mais um dia
comigo... fica.
e mostrarei os meus segredos
meus medos, o que for.
mais um dia
comigo... fica.
e seremos amantes.
os instantes não se perderão.
mais um dia
comigo... fica.
até a última batida do coração!
comigo... fica.
e a chuva passa
o sorriso volta.
mais um dia
comigo... fica.
e cantaremos o amor
como os pássaros
cantam a primavera!
não sentiremos frio
não sentiremos dor.
mais um dia...
e encontrarei
as palavras mais belas.
me deitarei em seu colo
com minha esperança maior.
mais um dia
comigo... fica.
e mostrarei os meus segredos
meus medos, o que for.
mais um dia
comigo... fica.
e seremos amantes.
os instantes não se perderão.
mais um dia
comigo... fica.
até a última batida do coração!
Insatisfação
anoitece
incompleto
o meu amor...
a lua me disse
que seria assim!
anoitece
incompleto
o meu amor...
a lua me disse
que é sempre assim!
anoitece
incompleto
o meu amor:
como um sussurro
no escuro
e... fim!
incompleto
o meu amor...
a lua me disse
que seria assim!
anoitece
incompleto
o meu amor...
a lua me disse
que é sempre assim!
anoitece
incompleto
o meu amor:
como um sussurro
no escuro
e... fim!
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
O que sei dizer do amor
Depois que você
se desapegou de mim
andei tonto pelas ruas
um molambo
sonâmbulo
quis me atirar no mar.
Depois que você
se desapegou de mim
atravessei um deserto
sob o sol e as noites sem luar.
É o que sei dizer do amor!
se desapegou de mim
andei tonto pelas ruas
um molambo
sonâmbulo
quis me atirar no mar.
Depois que você
se desapegou de mim
atravessei um deserto
sob o sol e as noites sem luar.
É o que sei dizer do amor!
Seu perfume
um bom poema
vale mais do que uma praça
mais do que todas as árvores
que lá existem
mais do que todos os casais
que por lá andam.
vale mais
do que todas as casas
todas as luzes
do que todas as pessoas
que se sentem tocadas por ele.
um bom poema
vale mais que a morte!
só não é maior
que o cheiro do seu perfume
quando você entra nesta sala...
vale mais do que uma praça
mais do que todas as árvores
que lá existem
mais do que todos os casais
que por lá andam.
vale mais
do que todas as casas
todas as luzes
do que todas as pessoas
que se sentem tocadas por ele.
um bom poema
vale mais que a morte!
só não é maior
que o cheiro do seu perfume
quando você entra nesta sala...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Satisfação
da vez primeira
que toquei naquele corpo
ficou em mim
o desejo de tocar mais
de sentir mais... profundamente!
da vez primeira
que toquei naquele corpo
ficou o desejo de continuar
de eternizar o amor.
que toquei naquele corpo
ficou em mim
o desejo de tocar mais
de sentir mais... profundamente!
da vez primeira
que toquei naquele corpo
ficou o desejo de continuar
de eternizar o amor.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Tatuagem
quero ficar
sempre
sempre
no seu corpo
e o que as palavras
não alcançam - eu ao avesso
as mãos
garantem o recomeço!
Vazio
De quem
é esta saudade
que meus silêncios
invade
entristecendo meus dias
lágrima
molhando a cidade
que de tão longe me vem
de quem?!...
é esta saudade
que meus silêncios
invade
entristecendo meus dias
lágrima
molhando a cidade
que de tão longe me vem
de quem?!...
Retrato
a vida guardada em gavetas.
quando abertas... que saudade!
em cada gaveta lembranças:
o coração criança
o beijo ardente - roubado
um pouco do que fui
um pouco do que sou.
vozes distantes nas gavetas
como o vento que agora
passou pelo quarto e não ficou.
discursos emocionados
o sonho de transformação
o sorriso largo, abraços
retratos abandonados...
em cada gaveta
os versos imperfeitos
os lábios sujos meu amor
sua boca sua boca... minha dor.
quando abertas... que saudade!
em cada gaveta lembranças:
o coração criança
o beijo ardente - roubado
um pouco do que fui
um pouco do que sou.
vozes distantes nas gavetas
como o vento que agora
passou pelo quarto e não ficou.
discursos emocionados
o sonho de transformação
o sorriso largo, abraços
retratos abandonados...
em cada gaveta
os versos imperfeitos
os lábios sujos meu amor
sua boca sua boca... minha dor.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Depois
tempo
não
é
o
que
passa
mas sim
o
que
fica
cercado
guardado
entre
quatro
paredes
prisioneiro
da
própria
vida!
não
é
o
que
passa
mas sim
o
que
fica
cercado
guardado
entre
quatro
paredes
prisioneiro
da
própria
vida!
O que é meu
tudo
o que é meu
cabe no espaço
de uma só mão.
é pouco... miúdo!
tudo
o que é meu
trago guardado
no coração.
é pouco... pequeno!
tudo
o que é meu não é...
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Nunca mais
dia de chuva
a mão procura a palavra
escondida na lágrima:
não encontro a palavra
apenas a ilusão do verso
nada mais
nada mais
nada mais
um dia de chuva
e nada mais? nenhuma palavra?
(um oceano de recordações
me arrasta)
dia de chuva
e não encontro a palavra:
apenas a ilusão do verso
nada mais
nada mais
nada mais
a mão procura a palavra
escondida na lágrima:
não encontro a palavra
apenas a ilusão do verso
nada mais
nada mais
nada mais
um dia de chuva
e nada mais? nenhuma palavra?
(um oceano de recordações
me arrasta)
dia de chuva
e não encontro a palavra:
apenas a ilusão do verso
nada mais
nada mais
nada mais
Visão do mar
a tarde estava calma.
o vento
deixava marcas estranhas na areia.
a d o
s n s a
o a m r
em
um mo men to
vi contínuo
molhavam os pés dos homens
e das mulheres: pés que se misturam
que se completam
na busca do alimento necessário.
crianças brincavam na areia o
naquela tarde calma e d a... u
r
- a rede saía do mar carregada de peixes -
escondido e cansado
observo a paisagem:
todos estão em silêncio
- na areia da praia
como um canto profundo
que solta da boca do mar e invade a cidade!
o vento
deixava marcas estranhas na areia.
a d o
s n s a
o a m r
em
um mo men to
vi contínuo
molhavam os pés dos homens
e das mulheres: pés que se misturam
que se completam
na busca do alimento necessário.
crianças brincavam na areia o
naquela tarde calma e d a... u
r
- a rede saía do mar carregada de peixes -
escondido e cansado
observo a paisagem:
todos estão em silêncio
- na areia da praia
como um canto profundo
que solta da boca do mar e invade a cidade!
Espera
O barco
carregado de palavras.
Sonhos de oceanos e mares espero.
À beira do cais espero o barco e o poema!
Mas o poema está no pássaro, distante de mim
e roça minha língua com seu peso de orvalho.
Espero o poema aventureiro
à beira do cais
em pequenas ondas incessantes.
No mistério dos olhos mais distantes
espero o poema... Porque o poema nasceu
quando o primeiro amor morreu.
O corpo aberto aos quatro ventos
espera o poema, espera o barco.
Na ternura assustada do lamento
o coração espera o poema...
Saindo de mim, a palavra
toca minha língua com seu peso de orvalho.
carregado de palavras.
Sonhos de oceanos e mares espero.
À beira do cais espero o barco e o poema!
Mas o poema está no pássaro, distante de mim
e roça minha língua com seu peso de orvalho.
Espero o poema aventureiro
à beira do cais
em pequenas ondas incessantes.
No mistério dos olhos mais distantes
espero o poema... Porque o poema nasceu
quando o primeiro amor morreu.
O corpo aberto aos quatro ventos
espera o poema, espera o barco.
Na ternura assustada do lamento
o coração espera o poema...
Saindo de mim, a palavra
toca minha língua com seu peso de orvalho.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Despedida
Abre o coração:
nas coisas que te cercam
o passado triste e inquieto.
Abre o coração:
ressurgem as lembranças
e os dias felizes são alvos
de ataques.
Esquece a aventura
e canta a inacabada
a improvável certeza da vida.
Oferece-te à descoberta do novo
mas... esquece.
No que nos repetimos
o que vivemos é pintura
onde o tempo trabalha
sua trama
impregnada de saudade.
...
Recolhe o que te dei ao nada
e esquece.
nas coisas que te cercam
o passado triste e inquieto.
Abre o coração:
ressurgem as lembranças
e os dias felizes são alvos
de ataques.
Esquece a aventura
e canta a inacabada
a improvável certeza da vida.
Oferece-te à descoberta do novo
mas... esquece.
No que nos repetimos
o que vivemos é pintura
onde o tempo trabalha
sua trama
impregnada de saudade.
...
Recolhe o que te dei ao nada
e esquece.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Wandréa
Deus
está nos seus lábios
na sua voz
nos seus olhos
no seu sorriso
e anda por entre seus cabelos.
está
nesses versos que escrevo
com os dedos do coração
quando sinto sua presença.
existe!
é o que sei... quando me lembro de você.
está nos seus lábios
na sua voz
nos seus olhos
no seu sorriso
e anda por entre seus cabelos.
está
nesses versos que escrevo
com os dedos do coração
quando sinto sua presença.
existe!
é o que sei... quando me lembro de você.
Você
e
se o amor despertar
os corações
ouvirem seu grito?
e
se o desejo crescer
o silêncio deixar de existir?
e
se a vontade voltar
e as mãos se tocarem?
e
se o perfume ficar
a noite acabar
o sol insistir
seu sorriso se abrir?
se o amor despertar
os corações
ouvirem seu grito?
e
se o desejo crescer
o silêncio deixar de existir?
e
se a vontade voltar
e as mãos se tocarem?
e
se o perfume ficar
a noite acabar
o sol insistir
seu sorriso se abrir?
Solidão
o vento da noite na lembrança...
um perfume distante
denuncia o que restou escondido.
- tudo é solidão...
no meio do tempo me desfaço
e o que fica - embora na lembrança
é o vento da noite
triste. e dele não escapo!
um perfume distante
denuncia o que restou escondido.
- tudo é solidão...
no meio do tempo me desfaço
e o que fica - embora na lembrança
é o vento da noite
triste. e dele não escapo!
Êxtase
quando chove
uma sombra esconde
as casas simples na serra.
imensa... longe!
quando chove
a terra chora.
sussurra o vento
um lamento - triste
de criança abandonada.
no asfalto úmido
o dia acaba!
uma sombra esconde
as casas simples na serra.
imensa... longe!
quando chove
a terra chora.
sussurra o vento
um lamento - triste
de criança abandonada.
no asfalto úmido
o dia acaba!
terça-feira, 27 de setembro de 2011
A morte do pássaro
No instante da chuva
a morte do pássaro.
Súbita!
No silêncio da rua
o barulho da queda.
Meu coração ouviu o grito
ninguém mais.
Grito de pássaro ferido
em pleno vôo.
Único!
Dentro da noite fechada
a morte me olha
nos olhos do pássaro.
Trágica!
Dentro da noite escura
a morte repousa
no silêncio da rua...
a morte do pássaro.
Súbita!
No silêncio da rua
o barulho da queda.
Meu coração ouviu o grito
ninguém mais.
Grito de pássaro ferido
em pleno vôo.
Único!
Dentro da noite fechada
a morte me olha
nos olhos do pássaro.
Trágica!
Dentro da noite escura
a morte repousa
no silêncio da rua...
Lunar
Vinha
não sei de onde
o rumor de uma voz.
Não sei de onde
o cheiro triste do crepúsculo
em nós.
A amargura sem fim
de um sonho vão
não sei de onde
outras tantas virão...
não sei de onde
o rumor de uma voz.
Não sei de onde
o cheiro triste do crepúsculo
em nós.
A amargura sem fim
de um sonho vão
não sei de onde
outras tantas virão...
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Pedido
quero dançar
com você
quebrar o silêncio
arriscar um pedido...
aquecer o inverno
do meu corpo no seu corpo
e
no encontro de nossas bocas
flutuar entre as palavras.
quero dançar com você
na rua na cama no baile...
em qualquer lugar!
quero dançar
com você
e sentir o doce desejo
- do beijo
que sustenta este poema.
com você
quebrar o silêncio
arriscar um pedido...
aquecer o inverno
do meu corpo no seu corpo
e
no encontro de nossas bocas
flutuar entre as palavras.
quero dançar com você
na rua na cama no baile...
em qualquer lugar!
quero dançar
com você
e sentir o doce desejo
- do beijo
que sustenta este poema.
sábado, 24 de setembro de 2011
Ausência
sinto
assim
sua falta:
um sorriso
no fim da tarde
o barulho do mar
a lua imensa e triste
os olhos debruçados
refletindo o luar...
sinto sua falta tão forte
que nem minha voz
m
ai
s
a
l
t
a
atinge você.
assim
sua falta:
um sorriso
no fim da tarde
o barulho do mar
a lua imensa e triste
os olhos debruçados
refletindo o luar...
sinto sua falta tão forte
que nem minha voz
m
ai
s
a
l
t
a
atinge você.
Amanhecer
dói
a vida
no grito
anunciador
do galo.
também eu
grito de dor
anunciando a dor
de que tanto falo!
- reinventar a luz na noite fria
é vida que dói onde não devia.
a vida
no grito
anunciador
do galo.
também eu
grito de dor
anunciando a dor
de que tanto falo!
- reinventar a luz na noite fria
é vida que dói onde não devia.
Da cultura e dos néscios
Outro dia alguém me chamou de néscio. Curioso, perguntei-lhe o significado da palavra. Depois de idas e vindas, o incauto confessou-me "que não sabia e que a escutara em uma reportagem da Globo". Assim somos nós: lemos menos jornais e menos livros e, em contrapartida, estamos vendo mais horas de televisão. Viva a "cultura televisiva"!
Não vou tentar definir o que é cultura, como fizeram muitos. Só o homem é cultural. Faz parte da cultura tudo o que é adquirido após o nascimento. Cito um velho e estimado professor que dizia "ser cultura tudo aquilo que fica, depois de tudo se ter esquecido".
Cada pessoa, cada comunidade e povo têm sua própria cultura. Mas insistimos em desprezá-la, porque estamos virados para a sobrevivência, para o estritamente necessário; faltam-nos tempo e possibilidades econômicas para criar momentos de lazer, indispensáveis para contatos com as fontes culturais. Assim, nosso aprendizado tem vindo da televisão. É incrível a quantidade de pessoas que pensam conhecer sobre esta ou aquela matéria!
Vejo, triste, minha cidade ser contaminada por políticos, profissionais liberais e até mesmo professores que, vivendo na superficialidade, julgam-se capazes de gerenciar a coisa alheia. São tantos os títulos que ostentam, as posições sociais que procuram manter, que tenho pena. Não conseguem segurar uma hora de discurso sobre determinado assunto, mas... aos néscios, as batatas!
Temos de arriscar mais; desligar a televisão e reconhecer nossas limitações. Precisamos de um toque de mágica que permita à pobre Cinderela se transformar em uma bela e encantadora princesa.
Recomendo aos néscios um reforçado e enriquecido embasamento cultural. Leituras e mais leituras são necessárias. Devemos ler Machado, Shakespeare, Camões... Cervantes e Dickens; conhecer e apreciar as obras de Malfati, Degas, Rivera, Michelangelo e todos os grandes artistas plásticos da história; necessitamos ouvir os acordes e as letras de gigantes como Jobim, Gershwin, Beatles, Elvis, Ellington, Armstrong, entre tantos; saber das conquistas de Einstein, Darwin, Santos Dumont, Oswaldo Cruz, Piaget; entender Adorno, Kant, Foucault e outros filósofos; carecemos das imagens de Truffaut, Hitchcock, Glauber, Spielberg, Antonioni, Fellini, Kurosawa...
Sem que tenhamos contato com as principais referências culturais das diversas áreas de produção intelectual humana, como podemos pretender a realização plena das idéias?
Somos, sem o apoio desses gigantes, meros repetidores de conceitos e idéias, desprovidos de imaginação e de asas próprias que embalem nossos sonhos, os melhores de nossos vôos.
O mundo não termina em nossas belas praias; o mar lambe nossos pés e traz notícias de coisas novas... Recomendo aos cegos de Piúma uma caminhada ao topo do Monte Aghá. Lá o vento frio arrancará de nós a ignorância e nossos olhos se abrirão para a liberdade. Quanto ao significado da palavra néscio... procurem um dicionário da nossa Língua.
Sumiço
depois que você foi embora
os pássaros ficaram mudos
tudo perdeu a graça
o mundo virou esse absurdo
depois que você foi embora
ficou essa dor que não passa
me vi sem meus escudos
no lado oposto do eterno
depois que você foi embora
a vida virou esse inferno!
os pássaros ficaram mudos
tudo perdeu a graça
o mundo virou esse absurdo
depois que você foi embora
ficou essa dor que não passa
me vi sem meus escudos
no lado oposto do eterno
depois que você foi embora
a vida virou esse inferno!
Nu
O sentimento coagulado:
orvalho nos olhos!
Imperiosa e nua
sua pele
com seus becos
com seu cheiro
que tanto conhecia.
No rosto do tempo, seus olhos
a
d
o
r
m
e
c
idos.
Imperiosa e nua, brinca comigo
sua pele... E desejo sua geografia
que conheço e não esqueço.
orvalho nos olhos!
Imperiosa e nua
sua pele
com seus becos
com seu cheiro
que tanto conhecia.
No rosto do tempo, seus olhos
a
d
o
r
m
e
c
idos.
Imperiosa e nua, brinca comigo
sua pele... E desejo sua geografia
que conheço e não esqueço.
Desejo
tudo o que quero
é a paisagem sem janela
porque viver não faz sentido
sem ela!...
tudo o que quero
é o tempo sem demora
porque está cheio de saudade
o coração!...
por que toda dor tem hora?
tudo o que quero
é cegar a lâmina dos anos
é arrancar do peito a solidão.
por que toda dor tem forma?
é a paisagem sem janela
porque viver não faz sentido
sem ela!...
tudo o que quero
é o tempo sem demora
porque está cheio de saudade
o coração!...
por que toda dor tem hora?
tudo o que quero
é cegar a lâmina dos anos
é arrancar do peito a solidão.
por que toda dor tem forma?
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Fim de tarde
Tenho os olhos cansados
e bebo a luz da tarde com humildade.
Caminho... as árvores estão caladas.
Sinto pena dos meus mortos e de mim.
Uma fascinação retorcida
toma conta do instante
e faz o coração gritar
e dançar numa calçada.
A vida fez de mim solidão aprisionada
e adiou a felicidade para um outro tempo.
Trago os olhos cansados
e bebo a luz da tarde com humildade.
Sinto pena dos meus mortos e de mim.
Aceitação da morte assim como ela é:
pequeno cais de todas as sensações à beira do nada!
e bebo a luz da tarde com humildade.
Caminho... as árvores estão caladas.
Sinto pena dos meus mortos e de mim.
Uma fascinação retorcida
toma conta do instante
e faz o coração gritar
e dançar numa calçada.
A vida fez de mim solidão aprisionada
e adiou a felicidade para um outro tempo.
Trago os olhos cansados
e bebo a luz da tarde com humildade.
Sinto pena dos meus mortos e de mim.
Aceitação da morte assim como ela é:
pequeno cais de todas as sensações à beira do nada!
O coração no centro
Cansaço... não raro
volto ao sonho antigo.
Com os olhos no infinito
me preparo: sei que o tempo
jamais perdoa a distância.
Estou cansado...
não raro, permito meu encontro
com a sua ausência, desesperado!
Fim de tarde... e estou cansado.
Não raro, caminho pelas ruas da cidade.
Fim de tarde... o coração no centro, o sentimento dentro!
volto ao sonho antigo.
Com os olhos no infinito
me preparo: sei que o tempo
jamais perdoa a distância.
Estou cansado...
não raro, permito meu encontro
com a sua ausência, desesperado!
Fim de tarde... e estou cansado.
Não raro, caminho pelas ruas da cidade.
Fim de tarde... o coração no centro, o sentimento dentro!
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Dança comigo
não importa a idade:
quando nos tocamos
quando nos amamos
somos crianças!
e o peso dos anos
as rugas
as lutas
os danos
quando nos tocamos
quando nos amamos
dançamos... desaparecem!
não importa a idade:
quando nos tocamos
a saudade do que passou
do que fizemos... desaparece!
não importa a idade:
quando nos tocamos
quando nos amamos
dançamos... a vida é prece.
quando nos tocamos
quando nos amamos
somos crianças!
e o peso dos anos
as rugas
as lutas
os danos
quando nos tocamos
quando nos amamos
dançamos... desaparecem!
não importa a idade:
quando nos tocamos
a saudade do que passou
do que fizemos... desaparece!
não importa a idade:
quando nos tocamos
quando nos amamos
dançamos... a vida é prece.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Acorde
Olha meu amor
nos meus olhos:
guia-te por eles
e descobre dentro de ti
se é inverno ou primavera.
Pois já te presenteei
com as tonalidades
de um coração enamorado
e te falei de um amor
delicado como os pássaros.
Olha meu amor
nos meus olhos:
guia-te por eles
e descobre dentro de mim
o que sei da saudade.
Pois já te presenteei
com o amor maior que os astros...
nos meus olhos:
guia-te por eles
e descobre dentro de ti
se é inverno ou primavera.
Pois já te presenteei
com as tonalidades
de um coração enamorado
e te falei de um amor
delicado como os pássaros.
Olha meu amor
nos meus olhos:
guia-te por eles
e descobre dentro de mim
o que sei da saudade.
Pois já te presenteei
com o amor maior que os astros...
Outono
outono... as folhas caem.
caminho triste meu caminho.
nenhum ritmo.
apenas a tarde sossegada.
outono... o sol anda pálido
de um lado para o outro
frio!
as árvores estão mudas
e desagasalhadas.
outono... o coração melancólico
perdido na calçada.
caminho triste meu caminho.
nenhum ritmo.
apenas a tarde sossegada.
outono... o sol anda pálido
de um lado para o outro
frio!
as árvores estão mudas
e desagasalhadas.
outono... o coração melancólico
perdido na calçada.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Romaria
Depois que a morta passou restou o silêncio. Um vento
Soprou manso por entre as flores adormecidas depois
Que a morta passou... Uma lágrima fecundou a terra e
O mistério da morte floresceu nos corações enlutados...
Esquecida, depois que a morta passou, caminhou pelas
Pelas ruas da cidade a paz. Depois que a morta passou
Passaram o sonho, a esperança, a alegria. Não a nostalgia.
A prostituta na porta da esquina depois que a morta passou.
Um homem entrou no bar e bebeu com alegria. Choveu e
Há muito não chovia! As coisas mais estranhas e também
Mais frias: o jovem com seu carro, a mãe com suas crias
O padre em seu templo que dizia ser deus todos os dias.
Bem depois que a morta passou cada qual no seu ofício:
O ladrão com seu roubo, o médico com suas receitas
O político com seu vício, o banqueiro com seu negócio
O poeta com seu amor!... Depois que a morta passou
Uma triste romaria seguiu gritando bem alto que a vida
Poeta - a vida que é tão conhecida - de nada, nada valia.
Soprou manso por entre as flores adormecidas depois
Que a morta passou... Uma lágrima fecundou a terra e
O mistério da morte floresceu nos corações enlutados...
Esquecida, depois que a morta passou, caminhou pelas
Pelas ruas da cidade a paz. Depois que a morta passou
Passaram o sonho, a esperança, a alegria. Não a nostalgia.
A prostituta na porta da esquina depois que a morta passou.
Um homem entrou no bar e bebeu com alegria. Choveu e
Há muito não chovia! As coisas mais estranhas e também
Mais frias: o jovem com seu carro, a mãe com suas crias
O padre em seu templo que dizia ser deus todos os dias.
Bem depois que a morta passou cada qual no seu ofício:
O ladrão com seu roubo, o médico com suas receitas
O político com seu vício, o banqueiro com seu negócio
O poeta com seu amor!... Depois que a morta passou
Uma triste romaria seguiu gritando bem alto que a vida
Poeta - a vida que é tão conhecida - de nada, nada valia.
Náufrago
A poesia afastou-se de mim. Formávamos um belo par...
Trazia na memória uma estante completa dos mais belos
Sentimentos, mas a poesia cansou das minhas indecisões
Dos meus atropelos, das lágrimas escondidas que muitas
Vezes rolaram em vão. O cansaço das horas... cicatrizes
Que o corpo esconde, não é poesia. Inutilmente a chuva
Cai, grita o amor: a cama vazia desconhece do corpo as
Formas, o soluço abafado, insistente, desesperado. Não
O barulho trazido agora pelo vento do mar não é poesia.
Também não há poesia nas janelas inquietas das casas...
Nas conversas alegres das mulheres, na seriedade quase
Sempre estúpida dos homens, no beijo apaixonadamente
Simples dos casais. A poesia afastou-se de mim, agora é
Tarde, tarde demais. Um povo luta contra a fome: não é
Poesia. Crianças que brincam nos semáforos da avenida
Crianças que morrem nos finais de semana: não é poesia.
Não é poesia e agora é tarde, muito tarde, tarde demais.
A sala onde trabalho não é motivo de poesia. Os papéis
empilhados, armários, mesas, cadeiras, máquinas, livros
não são fonte de poesia. Carregados de peixes chegam
Os barcos: não trouxeram a poesia. O canto do pássaro
Branco não é poesia. Milhões de bocas, de sonhos, não
são poesia... Descrente caminho pelas praças da cidade:
A embriaguez não traz de volta o desejo louco da poesia.
Não soube decifrar a linguagem. É tarde, tarde demais...
Trazia na memória uma estante completa dos mais belos
Sentimentos, mas a poesia cansou das minhas indecisões
Dos meus atropelos, das lágrimas escondidas que muitas
Vezes rolaram em vão. O cansaço das horas... cicatrizes
Que o corpo esconde, não é poesia. Inutilmente a chuva
Cai, grita o amor: a cama vazia desconhece do corpo as
Formas, o soluço abafado, insistente, desesperado. Não
O barulho trazido agora pelo vento do mar não é poesia.
Também não há poesia nas janelas inquietas das casas...
Nas conversas alegres das mulheres, na seriedade quase
Sempre estúpida dos homens, no beijo apaixonadamente
Simples dos casais. A poesia afastou-se de mim, agora é
Tarde, tarde demais. Um povo luta contra a fome: não é
Poesia. Crianças que brincam nos semáforos da avenida
Crianças que morrem nos finais de semana: não é poesia.
Não é poesia e agora é tarde, muito tarde, tarde demais.
A sala onde trabalho não é motivo de poesia. Os papéis
empilhados, armários, mesas, cadeiras, máquinas, livros
não são fonte de poesia. Carregados de peixes chegam
Os barcos: não trouxeram a poesia. O canto do pássaro
Branco não é poesia. Milhões de bocas, de sonhos, não
são poesia... Descrente caminho pelas praças da cidade:
A embriaguez não traz de volta o desejo louco da poesia.
Não soube decifrar a linguagem. É tarde, tarde demais...
Ofício
procuro a palavra nas ruas
coração espelhos livros bondes
casas muros retratos viagens
no bêbado da noite e no suicida
encontro a pedra
não a pedra do João
a pedra de Sísifo
a pedra rola em mim
deixando seus vestígios
antes o muro nos olhos
agora a pedra e seus indícios
ofício:
arrancar da palavra
a pedra na superfície
procuro a linguagem no corpo
campo flores signos estrelas
quadros cartas poesia espaço
no bêbado da noite e no suicida
: encontro a meta em você
coração espelhos livros bondes
casas muros retratos viagens
no bêbado da noite e no suicida
encontro a pedra
não a pedra do João
a pedra de Sísifo
a pedra rola em mim
deixando seus vestígios
antes o muro nos olhos
agora a pedra e seus indícios
ofício:
arrancar da palavra
a pedra na superfície
procuro a linguagem no corpo
campo flores signos estrelas
quadros cartas poesia espaço
no bêbado da noite e no suicida
: encontro a meta em você
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Chave
foi o olhar... o olhar
foi quem abriu a porta do coração
para o amor entrar.
era um olhar com muita luz!
lá dentro
apetecia entrar nele
tirar a roupa
ficar nu dentro daquele olhar.
correr
navegar... morrer naquele olhar.
foi quem abriu a porta do coração
para o amor entrar.
era um olhar com muita luz!
lá dentro
apetecia entrar nele
tirar a roupa
ficar nu dentro daquele olhar.
correr
navegar... morrer naquele olhar.
Inverno
Faz frio... Os cabelos brancos
refletem a solidão líquida do tempo.
O corpo não sustenta o peso das lágrimas
e faz com que o poeta ande cabisbaixo e melancólico.
(melancólico como os retratos esquecidos nas paredes)
Faz frio... Os mortos sussurram na noite escura.
A ossatura da vida desgastou-se com o tempo:
o poeta anda encurvado
e não responde mais a nenhuma pergunta.
Está frio e distante de todos.
Faz frio... O presente não traz mais os seus fantasmas.
Apenas o passado, abrindo as janelas do coração
deixa escapar o pássaro louco da lembrança...
E como dói!
para Déa Thompson
refletem a solidão líquida do tempo.
O corpo não sustenta o peso das lágrimas
e faz com que o poeta ande cabisbaixo e melancólico.
(melancólico como os retratos esquecidos nas paredes)
Faz frio... Os mortos sussurram na noite escura.
A ossatura da vida desgastou-se com o tempo:
o poeta anda encurvado
e não responde mais a nenhuma pergunta.
Está frio e distante de todos.
Faz frio... O presente não traz mais os seus fantasmas.
Apenas o passado, abrindo as janelas do coração
deixa escapar o pássaro louco da lembrança...
E como dói!
para Déa Thompson
Seus olhos
Que estrelas tontas
caíram nos seus olhos?
Que raio doido neste olhar
que me destina, fascinado
a morrer de amar?...
caíram nos seus olhos?
Que raio doido neste olhar
que me destina, fascinado
a morrer de amar?...
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Sina
Não um poema
que descrevesse
o brilho dos teus olhos
procurando-me esta manhã...
mas um poema
que soubesse dizer
da perfeita mudez
dessa hora quando te encontro:
esboço de luz
saudando o entendimento
de tudo que sinto, de tudo que minto.
que descrevesse
o brilho dos teus olhos
procurando-me esta manhã...
mas um poema
que soubesse dizer
da perfeita mudez
dessa hora quando te encontro:
esboço de luz
saudando o entendimento
de tudo que sinto, de tudo que minto.
Balanço
Hoje não tem poesia
porque uma criança morreu
e perdemos nosso tempo
discutindo o de sempre.
Não tem poesia
porque a justiça fugiu de nós
envergonhada, com os olhos
tristes e distantes.
Hoje não escrevo
porque o dia não trouxe a luz
das manhãs. Ela ficou escondida
nos morros, vermelha de sangue.
Uma criança morreu e somos todos culpados!
Hoje não tem poesia
porque as ruas estão cheias de crianças
e nada fazemos. Não escrevo
porque o morro saiu às ruas
e me vi no meio deles.
Não, não tem poesia
porque somos mentirosos:
amamos a guerra, o ódio, a destruição.
Uma criança morreu e ficamos indiferentes.
Gritamos por fraternidade
e construímos a desigualdade.
Hoje não tem poesia, porque
uma criança morreu e somos todos culpados!
porque uma criança morreu
e perdemos nosso tempo
discutindo o de sempre.
Não tem poesia
porque a justiça fugiu de nós
envergonhada, com os olhos
tristes e distantes.
Hoje não escrevo
porque o dia não trouxe a luz
das manhãs. Ela ficou escondida
nos morros, vermelha de sangue.
Uma criança morreu e somos todos culpados!
Hoje não tem poesia
porque as ruas estão cheias de crianças
e nada fazemos. Não escrevo
porque o morro saiu às ruas
e me vi no meio deles.
Não, não tem poesia
porque somos mentirosos:
amamos a guerra, o ódio, a destruição.
Uma criança morreu e ficamos indiferentes.
Gritamos por fraternidade
e construímos a desigualdade.
Hoje não tem poesia, porque
uma criança morreu e somos todos culpados!
sábado, 10 de setembro de 2011
Instante
A igreja fica distante das casas.
Entre elas, a praça
onde o vento varre as folhas caídas:
borboletas e pétalas na tarde dourada!
Pessoas caminham distraídas...
As calçadas formam uma imensa língua
e a boca da rua mostra seus dentes
na noite nua que agora cai sobre os telhados.
Um cheiro de solidão sopra leve
e balança os fios elétricos.
A cruz da velha igreja
mostra que o mundo é frio e cinza e triste
e que caminhamos arrastando nossa história.
(ficamos cravados no tempo
e nas paredes das casas)
A noite decide entrar.
A lua brinca com as nuvens
e as janelas engolem sua luz.
Um cheiro de solidão sopra leve
e o sussurro do vento adormece a cidade...
Entre elas, a praça
onde o vento varre as folhas caídas:
borboletas e pétalas na tarde dourada!
Pessoas caminham distraídas...
As calçadas formam uma imensa língua
e a boca da rua mostra seus dentes
na noite nua que agora cai sobre os telhados.
Um cheiro de solidão sopra leve
e balança os fios elétricos.
A cruz da velha igreja
mostra que o mundo é frio e cinza e triste
e que caminhamos arrastando nossa história.
(ficamos cravados no tempo
e nas paredes das casas)
A noite decide entrar.
A lua brinca com as nuvens
e as janelas engolem sua luz.
Um cheiro de solidão sopra leve
e o sussurro do vento adormece a cidade...
Tempo
o segredo bem guardado
um vento soprando leve
levando a vida que é breve... tempo!
a noite descendo nas casas
o dia partindo com pressa
o sonho que perde as asas... tempo!
um canto triste e sombrio
a morte nas águas do rio
no peito esse grande vazio... tempo!
um vento soprando leve
levando a vida que é breve... tempo!
a noite descendo nas casas
o dia partindo com pressa
o sonho que perde as asas... tempo!
um canto triste e sombrio
a morte nas águas do rio
no peito esse grande vazio... tempo!
Invenção
Quando estou triste
invento um sorriso que não mais existe.
Invento um dia azul, uma palavra branca
e outros sentimentos que o coração permite.
Invento um olhar diferente
e uma lágrima simples, quando estou triste!
Quando estou triste
abandono a sensação estranha de que tudo acabou.
(a chuva cai devagar, em soluços)
Quando estou triste, falo de amor sem mentiras.
Invento a estrela rara, que me ilumina
e inverte a minha sina...
invento um sorriso que não mais existe.
Invento um dia azul, uma palavra branca
e outros sentimentos que o coração permite.
Invento um olhar diferente
e uma lágrima simples, quando estou triste!
Quando estou triste
abandono a sensação estranha de que tudo acabou.
(a chuva cai devagar, em soluços)
Quando estou triste, falo de amor sem mentiras.
Invento a estrela rara, que me ilumina
e inverte a minha sina...
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Cotidiano
Triste
saber que a casa
não mais ouvirá seu canto.
Nada invento!
Na metade da garganta o espanto:
sua falta é sentida em sal e dano.
Tudo sinto!
Na canção que canto
assombro e solidão.
Triste
é não mais sentir sua presença
onde habito:
apenas sombra do que sonhamos
inútil, inundada de anos...
saber que a casa
não mais ouvirá seu canto.
Nada invento!
Na metade da garganta o espanto:
sua falta é sentida em sal e dano.
Tudo sinto!
Na canção que canto
assombro e solidão.
Triste
é não mais sentir sua presença
onde habito:
apenas sombra do que sonhamos
inútil, inundada de anos...
Intimidade
Um coração sem planos
com sentimentos naufragados:
o meu.
Que não sabe o que é o sol
porque nasce e morre sempre à noite.
Depois que o amor me visitou
um coração com danos...
- mas a lembrança antiga
insistente, no fundo dos olhos -
Depois que o amor me visitou
uma estreita intimidade
com a dor e com a saudade!
para Rafaéla
com sentimentos naufragados:
o meu.
Que não sabe o que é o sol
porque nasce e morre sempre à noite.
Depois que o amor me visitou
um coração com danos...
- mas a lembrança antiga
insistente, no fundo dos olhos -
Depois que o amor me visitou
uma estreita intimidade
com a dor e com a saudade!
para Rafaéla
Dedução
escura e fria a cidade.
não sei de onde
o cheiro dos ipês da minha terra.
saudade!
a lembrança corta feito navalha
e expõe minhas fraquezas...
sou triste
porque é da minha natureza.
o convívio com as lágrimas
fez de mim homem seco.
sou assim: escrevo o que vivi.
esta é a minha metafísica!
para Regina Xavier
não sei de onde
o cheiro dos ipês da minha terra.
saudade!
a lembrança corta feito navalha
e expõe minhas fraquezas...
sou triste
porque é da minha natureza.
o convívio com as lágrimas
fez de mim homem seco.
sou assim: escrevo o que vivi.
esta é a minha metafísica!
para Regina Xavier
Poema perdido
ontem perdi um poema...
caminhava só.
não houve choro.
não houve gritos.
perdi um poema
e o mundo continuou o mesmo!
perdi um poema
bem no meio da avenida
e o céu continuou azul.
perdi um poema... ali
do lado esquerdo de quem vive só!
caminhava só.
não houve choro.
não houve gritos.
perdi um poema
e o mundo continuou o mesmo!
perdi um poema
bem no meio da avenida
e o céu continuou azul.
perdi um poema... ali
do lado esquerdo de quem vive só!
Paz
O cheiro da tarde tomou conta de todos
e o perfume das flores do jardim
brincava alegremente com a brisa que passava.
Cantávamos envolvidos pelo sol!
(nenhuma sombra naquele dia)
Um vento solitário encontrou abrigo
nas árvores do quintal. As folhas dançavam
e caíam displicentes.
Crianças faziam barquinhos de papel.
O rio molhava as pernas das mulheres
e a conversa dos homens.
Navegávamos envolvidos pela música!
(nenhuma sombra naquele dia)
A casa com suas janelas abertas
abraçava o mundo
e o mundo cantava e sorria naquele dia.
Nenhuma guerra, nenhuma notícia de jornal...
nada.
Uma tarde de paz!
Os pássaros faziam seus ninhos
no silêncio da esperança.
Cantávamos silenciosamente felizes naquele dia!
e o perfume das flores do jardim
brincava alegremente com a brisa que passava.
Cantávamos envolvidos pelo sol!
(nenhuma sombra naquele dia)
Um vento solitário encontrou abrigo
nas árvores do quintal. As folhas dançavam
e caíam displicentes.
Crianças faziam barquinhos de papel.
O rio molhava as pernas das mulheres
e a conversa dos homens.
Navegávamos envolvidos pela música!
(nenhuma sombra naquele dia)
A casa com suas janelas abertas
abraçava o mundo
e o mundo cantava e sorria naquele dia.
Nenhuma guerra, nenhuma notícia de jornal...
nada.
Uma tarde de paz!
Os pássaros faziam seus ninhos
no silêncio da esperança.
Cantávamos silenciosamente felizes naquele dia!
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Manhã
Manhã
o sol fareja minha face com seus raios.
Os olhos abertos e vejo o mundo
nascendo com seus sons e suas cores.
Ouço vozes de um outro tempo
que acariciam o corpo: família...
Manhã
o sol aquece a solidão fria do quarto.
Um canto conhecido abre as janelas da casa.
O cheiro quente e alegre do café
salta da memória e invade o dia.
- a lembrança dos irmãos asfixia
o coração do poeta -
No sangue o sorriso
o jeito triste de olhar as coisas
as portas quebradas da casa velha
a rua da infância, o número 190
o pé-de-moleque escondido na cristaleira
a cidade adormecida
o sino da igreja
a doença do pai
a morte da mãe
a morte da irmã... No sangue a herança!
Manhã
o pensamento carregado de agonia.
Vem de longe a saudade.
para Vera Xavier
o sol fareja minha face com seus raios.
Os olhos abertos e vejo o mundo
nascendo com seus sons e suas cores.
Ouço vozes de um outro tempo
que acariciam o corpo: família...
Manhã
o sol aquece a solidão fria do quarto.
Um canto conhecido abre as janelas da casa.
O cheiro quente e alegre do café
salta da memória e invade o dia.
- a lembrança dos irmãos asfixia
o coração do poeta -
No sangue o sorriso
o jeito triste de olhar as coisas
as portas quebradas da casa velha
a rua da infância, o número 190
o pé-de-moleque escondido na cristaleira
a cidade adormecida
o sino da igreja
a doença do pai
a morte da mãe
a morte da irmã... No sangue a herança!
Manhã
o pensamento carregado de agonia.
Vem de longe a saudade.
para Vera Xavier
Elegia
Escondidas no sorriso claro da noite
Recolher estrelas, procurar palavras
Como artigos raros de inventário...
Repeti-las sempre, sempre e sempre
Até que o corpo marcado e cansado
Esqueça as feridas que o amor deixou.
Escondidas no mar esquecido da História
Recolher palavras, porque é Lusa a língua
Que falamos; o encontro que pretendemos.
Mas é preciso retirar-lhe o véu do corpo
Encontrar-lhe os misteriosos portos não
Tocados e mostrá-los abertos aos sentidos.
Escondida no perfume quente da pele
Encontrar você, que povoa meus sonhos
E desvenda minha sina. Porque estou
Amarrado à sombra do seu jeito, invento
Banhada em velho sal, imagem cristalina
E vento e maresias e o sol do fim do dia.
Escondidos no verde-claro da manhã
Encontrar caminhos... Que as palavras
São cultivadas sempre com espinhos.
Porque a vida não é fácil assim sozinho
E joga contra o destino a sua vontade
Como a língua é desvendada com a chave!
Recolher estrelas, procurar palavras
Como artigos raros de inventário...
Repeti-las sempre, sempre e sempre
Até que o corpo marcado e cansado
Esqueça as feridas que o amor deixou.
Escondidas no mar esquecido da História
Recolher palavras, porque é Lusa a língua
Que falamos; o encontro que pretendemos.
Mas é preciso retirar-lhe o véu do corpo
Encontrar-lhe os misteriosos portos não
Tocados e mostrá-los abertos aos sentidos.
Escondida no perfume quente da pele
Encontrar você, que povoa meus sonhos
E desvenda minha sina. Porque estou
Amarrado à sombra do seu jeito, invento
Banhada em velho sal, imagem cristalina
E vento e maresias e o sol do fim do dia.
Escondidos no verde-claro da manhã
Encontrar caminhos... Que as palavras
São cultivadas sempre com espinhos.
Porque a vida não é fácil assim sozinho
E joga contra o destino a sua vontade
Como a língua é desvendada com a chave!
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Saudade
O amor que nunca tive
nada sabe
das visitas inesperadas que me faz.
O amor que nunca tive
nunca soube
dos nossos encontros inesperados.
O amor que nunca tive
meu amor inventou
na vida que rola renascendo outra.
Construção e desmoronamento:
meu amor
o amor que nunca tive
perdeu-se no mistério do tempo.
O amor que nunca tive
desapareceu completamente!
Nas horas eternas, congeladas
ficou a saudade
querendo voar com os pássaros...
para Rafaéla
nada sabe
das visitas inesperadas que me faz.
O amor que nunca tive
nunca soube
dos nossos encontros inesperados.
O amor que nunca tive
meu amor inventou
na vida que rola renascendo outra.
Construção e desmoronamento:
meu amor
o amor que nunca tive
perdeu-se no mistério do tempo.
O amor que nunca tive
desapareceu completamente!
Nas horas eternas, congeladas
ficou a saudade
querendo voar com os pássaros...
para Rafaéla
Fotografia
A casa velha
nenhuma recordação de mim...
na parede quadros e fotos
assim: amarelos, esquecidos!
A casa velha
não ouço o sussurro do vento.
O telefone não toca mais... apenas lamento.
A casa velha
nenhuma recordação de mim.
nenhuma recordação de mim...
na parede quadros e fotos
assim: amarelos, esquecidos!
A casa velha
não ouço o sussurro do vento.
O telefone não toca mais... apenas lamento.
A casa velha
nenhuma recordação de mim.
Sereno
A chuva cai mansa sobre a tarde.
Devoro o cheiro da terra molhada
E nascem flores em minha boca:
As palavras saem perfumadas
E convido o instante à eternidade.
A chuva cai mansa sobre a tarde.
Os pingos da chuva lambem
Minha pele: arrepios pelo corpo.
Os olhos se entregam docemente
E aceitam o que a tarde esconde.
A chuva cai mansa sobre a tarde.
Ando com pedaços de passado
Na memória, que insistem graves.
Mas a tarde pede para que amemos
Desesperadamente, sem entraves.
A chuva cai mansa sobre a tarde.
Me distancio da morte em segredo:
Como quem renasce... perde o medo
Das coisas tristes, de envelhecer...
O que sinto tem a cor do entardecer!
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