segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O que tem de poesia em mim

O que tem de poesia
em mim
é esse silêncio
que dá voz à solidão

são essas palavras
estendidas sobre os meus dias

e a pouca luz das velas que me acendem
sob o olhar de cobiça
da saudade!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Escondida

a saudade
esconde a natureza
de menina da noite
a saudade desnuda
no escuro
seu desejo
adormecido
a saudade
espera ansiosa
pela criação do poema!

Notícia

Esta manhã
a morte chegou brilhando
como um clarão de relâmpago.

A criança seguiu
seu destino de pássaro!

Notícia de lágrimas
e de gritos: a morte
e seu clarão de relâmpago.
...

Para esquecer, engolimos o tempo.

Sintaxe da ausência

Ontem
pela manhã
olhei lá
dentro do abismo
e ele me mostrou
um enorme girassaudade
feito de não-palavras
de não-sentimentos
de não-realizações
que confirma
a sintaxe da sua ausência!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ilhado

consome
a vida do homem
a poesia?
consome seu dia?

poesia é soma
urgência
de letras, argila!

consumido
o homem
a poesia
fecunda seu dia?

poesia é soma
primavera imaginada
ou nada!
ilha no centro do dia
do homem cercado
por quatro paredes.

do homem consumo
- consumido
a poesia é dia?

poesia é brisa
não comunicada.
frescura
de folhas úmidas:
paisagem litografada.

a poesia liberta
o homem do dia?

poesia
é ilha no centro do dia
do homem alado
por quatro paredes cercado!

sábado, 17 de novembro de 2012

Aceito a noite

aceito
a noite
e seu acontecer:
é quando penso
na vida
na sorte
na morte
no poema
que me escapa!

Vem da chuva meu poema

Vem da chuva meu poema.
Desse rio
mar
(que insiste no quintal da casa)
onde mergulho em minha infância.

Vem das chuvas...
Deixo o barco ancorado
no cais da Monteiro da Gama
190.
Entro no poema
e sinto o cheiro da alfazema
que minha mãe guardava
na gaveta da cômoda do quarto.
A casa era simples
e no varal dos dias
havia sonhos secando ao sol.

Vem da chuva. Dos sons da chuva
essa voz insistente que chama
que grita meu nome e me persegue:
é a voz da minha cidade, dos meus mortos
às vezes esquecidos!

Meus irmãos
penhaandréveracaléumalenaregina
caminham abandonados no coração
do homem maduro (menino)
que chora de saudade
perdido na angústia de viver.
Caminham na chuva do tempo...

Vem da chuva meu poema.
Da minha alma partida
que em silêncio segue seu curso:
rio
mar
da vida.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Desce a chuva

a chuva desce
pelo vidro da janela.
estou sozinho.
através da janela
vejo a goiabeira
perdendo suas folhas.
e outra mais.
e outra mais.
e...

faz frio. lá fora
o céu se fecha.
a chuva desce
pelo vidro da janela.
estou sozinho
e fechado feito caracol.
também deixo
meus sonhos caírem.
e outro mais.
e outro mais.
e...
como as folhas
da goiabeira
através da janela.

o céu se fecha.
a chuva desce.
o canário voa triste
e solitário.
estou sozinho.
tudo é cinza
e sólido e concreto.
exceto a poesia!

sábado, 10 de novembro de 2012

Elegia


não
quero
a poesia.
quero
que
a palavra 
ande
em meu texto
senhora de si.

Chuva

tardecinzachuva
quartojanelafrio
chuvacinzatarde
janelaquartofrio
palavracinzafria
friapalavracinza
palavrachuvafrio
tardepalavracio.

Canto

a cidade acordou
(promessa de chuva).
a manhã desata os nós
que a noite deixou.
a palavra e as casas
guardam cicatrizes
como pessoas
guardam lembranças.
a cidade acordou
adoecida de silêncio:
promessa de chuva.
a palavra e as casas
com olhos naufragados:
janelas abertas
papéis rabiscados!
a cidade acordou
parecendo eterna
única no poema
(promessa de procura
e de tédio).

chove...
as casas e a palavra
lambem suas feridas:
reflexo da manhã morta.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Espera

s
ó
o
coração
s
ó
de
s
espera
!

Lição de esquecimento

o
silêncio
com suas equações
inexatas de saudade
fere-me nesta manhã
que se repete.
sigo engolido pelo tempo...
minha poesia é lição de esquecimento!

Tempo

meus dias
estão vazios
como esta tarde
solitária
onde me encontro.
o desejo ou sonho
fugiu pela janela
que o vento
da tarde
abriu.
meus dias
estão frios
como esta tarde
solitária
onde me encontro.
é tempo de solidão
de palavras simples
de mistérios outros
de...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Banquete

a poesia
substância arrancada
do suor da tarde, de longe vem!
significação de rastros
e de palavras não correspondidas
a poesia é quimera
atirada no precipício
desta tardemar sem praia
e repleta de vícios.
a poesia fere por dentro
e povoa com novos objetos
a mesa simples
onde são servidos os meus versos!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Entrega

O sol forte da tarde
cedeu aos pingos da chuva.
O silêncio tomou conta do dia
como um sopro abafado de morte.
As sombrinhas desfilavam coloridas
mas tristes...
De onde estou deixo a emoção cristalizada:
escrevo em versos estruturados o que sinto.
Agora o aguaceiro desentranha da memória
os múltiplos e desejados cheiros da infância
mas tristes...
Refletida nas tantas poças de água do coração
a saudade - pedra opaca talhada com exatidão
pergunta (amor) pelos dias vividos de antigamente
mas tristes...
O silêncio tomou conta do dia
como um sopro abafado de morte.
De onde estou vejo a tarde se despedindo prisioneira.
Mais uma noite vem com sua quase envelhecida bandeira.
Dedilho com meus medos o teclado do corpo oferecido
mas triste...



Antes

antes que a noite acabe
antes que a chuva passe
vamos: a vida é assim!

o vento arranca
sussurros do tempo...
vamos: a vida é assim!

antes que a noite acabe
antes que a chuva passe
...
a lágrima, cárcere de luz
parte-se ao meio.

Cheiro triste

A noite entra
com seu cheiro
triste de saudade.
Tenho desejos de palavras
mais que perfeitas (incontidas
e urgentes)
para a dura explicação da vida.
Inacabado
ofereço a você
essa lânguida paixão.
...
A noite entra
com seu cheiro de saudade:
florida... deflorada.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sem aviso

Sem aviso
sutil que fosse
sua voz deixou nu
o desejo escondido
arrancou de mim
essa languidez
preguiçosa
encheu-me de excessos
semeou desafios
calou a manhã!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Recado

Não quero a triste cor dos teus olhos
sombreando as curvas do teu rosto.
Quero a desmedida alegria do tempo
o toque macio e leve dos teus lábios
(fruto maduro)
e o gosto conjugado da tua saliva
quando teu beijo me fere e me desarma...

Eu te queria

Eu te queria
atônita e perdida
envolvida em teus mistérios.

Mesmo fechando os olhos
eu te achava: cheiro de fruta
colhida no quintal da saudade!

Porque teus sons
de sino da minha cidade
ainda ecoam pelas ruas do meu corpo.

Eu te queria
atônita e perdida
queimando meus desejos
escondida que ficou dentro de mim...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Angústia

Há um cheiro de angústia
nesta manhã que abre o dia.
Mesmo não querendo ver vejo
o sonho a se rachar no tempo.
Do tempo bebo teus desígnios
aceitando o que restou perdido.

Há um cheiro de angústia
nesta manhã que abre o dia.
E éramos nós, eu e o sonho
buscando no outro o caminho
desconhecido da esperança.
Do tempo bebo teus desígnios...
E nos perdemos, o sonho e eu
na linguagem única dos homens
rastro do que não se alcança.

Há um cheiro de angústia
nesta manhã que abre o dia.
...
Sinto o sopro da memória
me assaltando novamente.
Devoro auroras e crepúsculos.
O sonho vem me salvar do medo:
liberto estou e recomeço!

Vencido

A palavra arranha
o dia ensolarado.
Depois da noite
solitária e vencida.

Sim, perdi o sonho
que faltava. Outro
sonho então restava.

A palavra arranha
o corpo derrotado.
Depois da triste
noite embriagada.

Sim, perdi a luta
e a esperança.
Ando pálido
pelas ruas da cidade!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mãetempo

A solidão habita em mim
desde o ventre da minha mãe.
Guardo na alma as orações
carregadas de lágrimas
que minha mãe rezava...
Sou triste, porque - à noite
minha mãe sentia o frio
que sente
toda mulher abandonada.

Desejo

Seu corpo brilha na madrugada.
Em noites frias... Horas pálidas...
Exploro seus múltiplos planetas
com atos compulsivos e impensáveis.
Desafio seus desejos...

Seu corpo brilha na madrugada.
Em noites frias... Horas pálidas...

Chegada

A tarde chegou
com seu jeito triste... chovia.
Os pingos da chuva molhavam
a paisagem que os olhos buscavam.

A tarde chegou
com seu jeito triste... chorava!

domingo, 12 de agosto de 2012

Luta

Tenho sobrevivido.
Os fragmentos das lutas
o tempo ensanguentado que respiro
o compromisso indelével com a vida.
Sim, tenho sobrevivido
apesar desse exército de serpentes
que roem - maliciosamente
a fragilidade do sorriso.
Sobrevivo e contemplo
a dor intensa que ameaça romper-se
a cada nova aproximação do combate.

Abraço

Ela chega
com seu peso de sonhos sobre meu peito.
Recolho minhas asas e ofereço meu jeito triste para descanso.
Suas palavras destroçam meus lábios mudos e famintos.
Talvez miúdas cantigas... não sei.

Sou hoje homem aflito diante dos seus olhos.
Animal dentro de um outro animal.

Medida

Descubro
aqui nessa cidade
a exata medida da minha idade:
tenho mil anos de humilhação
e outros mil de vaidade!

Manhã

num gesto branco
a noite se despedaça:
manhã!

Domingo

sol
chuva
solchuva
só chuva


Roleta

o coração
repete
sua volta
suicida
no tempo
fascinado
pela saudade
repete
sua volta
suicida
no tempo
o coração
ama
o passado
que o chama
o coração
(todo ele)
é chama!

Onde anda o meu amor

onde anda o meu amor
no rio que se encontra
não no mar, lugar comum
mas nos homens, rio nenhum?

meio e fim ele se encontra
no riomar que nos separa
sonhando encontrar no rio
a clara manhã solitária?

onde anda o meu amor
na ponte tempo que o divide
na margem, leito... cais
ou no adeus que nos leva
do nada ao nada mais?

Estação

Com a primavera
tirada dos teus olhos
teci essa solidão indesejada.
O tempo arranca flores embriagadas
e sombreia com tristezas meu coração.

Com a primavera tirada dos teus olhos
teci essa indesejada solidão!

sábado, 23 de junho de 2012

Magda

Em teu coração
pulsa um segredo calmo
que abrigas no tempo: amor!

Encontras a palavra densa
e aqueces teus dias de dor
e de céu.

Teces o sentimento mais raro
e vais construindo na saudade
a trilha fecunda da tua vida...

O poeta
arranca
um grito
do coração
enquanto
esfrega
seu sexo
contra a solidão!

Medida

ela cabe
no poema
como um leve
toque de asa
na palavra.
meu corpo
atravessa
a cidade e o mar
quando os olhos
dela (em mim)
deslizam...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Negro amor


a noite 
chega inquieta
como ave perseguida.
sinto forte sua presença.
tomba 
como toldo desarmado!
a grande noite 
com seu negro sangue
escorrendo pelas ruas da cidade...
eu vi um corpo se abrindo nessa noite.
um bicho faminto 
saindo desse corpo.
um coração sussurrando 
seu nome
nessa noite negra feito diamante.
a noite 
chega inquieta
como ave perseguida.
eu vi uma criança faminta nessa noite
procurando 
por sobras de poesia
nas latas de lixo das calçadas.
nessa noite negra 
e desenluarada!

sábado, 9 de junho de 2012

Anunciação

a noite
entra sorrateira
pela janela do quarto

e deságua em mim
carregada de mistérios.

a noite líquida pantera
refletida
no abismo onde me encontro!

Tarde

Tenho
medo da tarde
que esconde o sol
por entre as nuvens

da tarde
de olhos tristes e solitários...

Amareladamente o dia finda.

Lunar

sua
brancura
infinita
(alfazema)
de pele lunar
envolta
é pura luz
em mim...

Noite

A noite
se aproxima
com sua lâmina
abissínia.

A grande noite
de fala misteriosa
oceânica...

As estrelas marinhas iluminam
esse poema navegador solitário!

domingo, 27 de maio de 2012

Canção

o poeta
liberta do coração
um grito
como relâmpagos
e chuva
ou
- mais leve -
como pássaros
que voam dos lábios!

o poeta
Georgina
quer florir de versos
em espaço exíguo
da vida
a tua vida
- e o que ela ensina!

Tempo

o tempo
pesa em mim...
estou onde a vida não foi.

os olhos
aguçam a sede: quero viver
o que a palavra não alcança.

o que resta?

tenho um deserto
escrito de saudades.
após findo o corpo fica o rastro?

onde a razão me escapa?

preciso agora da calma
de quem reinventa a vida
de quem esvazia a alma.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Elegia

um sentimento
não fica perdido
para sempre
um dia ressurge
como essas lágrimas
que
depois de algum tempo
sufocadas
reaparecem à superfície
molhando o dia
e então
não há mais nada a fazer
senão
enterrá-lo em um poema!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Solar

essa luz
que de repente
iluminou as folhas
das árvores no quintal
trouxe o mistério da manhã!

as roupas secando sob o sol...

Anoiteceu

o dia perdeu
seu rompante
de luz: anoiteceu.
a lua pálida
anda solitária
no céu... ao léu!

sábado, 28 de abril de 2012

Medo do tempo

Tenho
medo do tempo.
Do tempo lágrima
que molha a várzea do rosto.
Do tempo cicatriz da memória:
remédio salvador da palavra
matéria
que serve a todo poeta.

Tenho medo do tempo.
Do tempo que deixa
um cheiro de saudade
dos seus olhos: lua cheia na noite.

Eu te direi

Eu te direi quem sou
quando tirares dos olhos
aqueles pássaros noturnos
companheiros solitários
desse exílio em que te encontras

Quando me contares
(luz que em mim habitava)
o que foi feito de ti

Sim eu te direi quem sou
quando palavras caírem
desse coração
que vaza dos meus olhos...


Fuga

Tua fuga me cansou.
E fugiste levando o sol
debaixo do braço...
Deixaste apenas esquinas
e ruas e cidades escondidas
na escuridão da tua ausência.

Tua fuga me cansou.
E deixaste (em mim)
a ferida aberta, que sangra
e um sorriso inacabado
entre o osso e a artéria.

Tua distância o tempo acelera.

Tua fuga me cansou.
E levaste a precisão do beijo
debaixo do braço.
Deixaste apenas a essência
da tua presença (em mim)
acorrentada.

Tua fuga me cansou.
E calaste a orquestra das palavras!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Labirinto

A poesia
não jorra.
Virou palavra
aprisionada
memória calada
dos dias e das noites
que jorrava!

Olhar

Completo
da poesia
açulo
a memória
espantada
dos instintos
a querer-te:
mulher linda
falsa
tímida
excitada...

Morre o dia

morre
o dia
e tomba
morto, desarmado...
o céu escancara, escuro
a boca que engole o mundo.

nasce a poesia!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Refazer

Releio suas cartas.
Não adianta: esvaziei.
Debruço-me sobre o pensamento.
Reviro todas as hipóteses: nada.

Onde está a estrela
que fazia brilhar meu desejo?

As coisas acabam: isso é tudo!

Recomeçar... Reconstruir
a partir de uma lembrança
que chegou com o vento...

Fluidez

Janela aberta.
O domingo chega
com seus signos
e traz recordações
que me pertencem.

Contemplo
o tempo que flui
resplandecente!

Outros sentimentos
acordam o desejo
guardado em segredo.

O domingo
se estende nas telhas
e limpa as trevas e o medo.

Janela aberta:
o dia não existe.
Existe o domingo
encravado no seu íntimo.
E tudo o mais, mesmo o amor
é algorítimo...

sábado, 31 de março de 2012

Definição

sua pele
pétala
pássaro
luz
incêndio
sob a blusa.

teus duros
mamilos
róseos
me olham
no claro
escuro
sob a blusa.

chama?

Tratado

A poesia
faz do poeta
sua imagem
e semelhança.
A poesia
dentro dele
é incêndio e dança!

domingo, 25 de março de 2012

Flor

sonhar.
contar estrelas do céu...
pensar em você: cais
noturno
onde deixo meu coração
amarrado
enquanto se despetala!

Criação

Pulsação do poema.
Seus ciclos ensinam
ao poeta seus enigmas?
Sua secreta escritura?

Ensinam
ao poeta a arte sem arte
das palavras incessantes?

Pulsação do poema:
metáfora insidiosa
em um círculo de águas!

Pulsação do poema:
matemática de alfabetos
que enluaresce quando olho
a noite que me olha e não te vejo...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Guardado

quando anoitece
fecho o coração
em concha
- nas mãos
e me entrego
em uma viagem
em que te aguardo
silenciosamente...

Esboço

Sou eu.
Mas será
verdade que sou?
Quem me inventa?
O que me define?
É minha essa identidade
feita de palavras apenas?...

sábado, 3 de março de 2012

Canteiro

deixo
você
na memória
como quem
coloca uma flor
no vaso
para enfeitar a vida...

Sensação

Sinto sua presença
inaugurando
meu corpo
morto de saudade.

Sua mão quente
esparrama e recolhe
o tempo da minha pele.

Um olhar triste e distante
vem habitar-me...

Batismo

Com os primeiros versos
veio a natural circuncisão...

Com você veio a saudade!

Nunca mais hesitei diante da poesia.

Pedaço

fazem parte
do poema
a janela
e essa vista
para o mar.
nos versos
essa estranha
sensação de amar.

Calor

Em
seu corpo
mergulho
meu desejo.
E nado... E nada!

Nexo

no teu sexo
faço verso
no meu verso
faço sexo
e vice-verso...

Tempovento

a mão do vento
roça meu rosto.
o olhar perdido reflete
a negra cor da memória: tempo!

a mão do vento
ainda que arrancasse
do tempo a outra face
metalicamente frio
deixaria o coração: faz tempo...

a mão do tempo
roça meu rosto: vento!

Ninguém me avisou

Ninguém
me avisou
que a saudade
dos amigos daqui
invadiria lentamente
o coração cansado e triste.

Quando
dei por mim
essa verdade exausta
feita de dias passados
e de exatas palavras
cravava sua dor pesada
no coração cansado e triste.

Ninguém
me avisou
desse segredo solidário
desse lembrar de ausências...

Estamos
presos aqui
nesse amanhã ontem
enquanto a vida segue seu curso!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Relento

deixo
a palavra
ao relento.
forço a imaginação...
por baixo
do pensamento
amo a emoção:
poesia é sentimento!

Medo

Tenho medo
da noite
quando dormem
os que me animam
e eu me torno de novo
vítima solitária da saudade:
meu destino!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Decisão

na vida
não há idade...
abro, então
mão do que me cabe.
por amar-te
- ainda que sofrendo
abandono a eternidade!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Te amaria

Sim, eu te amaria.
Mesmo não querendo
o que me é dado saber
dos meus dias... Eu te amaria.

Eu te amaria apenas
porque as palavras
assim saem perfumadas
e as intenções contidas em teu nome
trazem um oceano de recordações...

Ah, eu te amaria
porque há música em te amar e armadilhas!