Tenho sobrevivido.
Os fragmentos das lutas
o tempo ensanguentado que respiro
o compromisso indelével com a vida.
Sim, tenho sobrevivido
apesar desse exército de serpentes
que roem - maliciosamente
a fragilidade do sorriso.
Sobrevivo e contemplo
a dor intensa que ameaça romper-se
a cada nova aproximação do combate.
domingo, 12 de agosto de 2012
Abraço
Ela chega
com seu peso de sonhos sobre meu peito.
Recolho minhas asas e ofereço meu jeito triste para descanso.
Suas palavras destroçam meus lábios mudos e famintos.
Talvez miúdas cantigas... não sei.
Sou hoje homem aflito diante dos seus olhos.
Animal dentro de um outro animal.
com seu peso de sonhos sobre meu peito.
Recolho minhas asas e ofereço meu jeito triste para descanso.
Suas palavras destroçam meus lábios mudos e famintos.
Talvez miúdas cantigas... não sei.
Sou hoje homem aflito diante dos seus olhos.
Animal dentro de um outro animal.
Medida
Descubro
aqui nessa cidade
a exata medida da minha idade:
tenho mil anos de humilhação
e outros mil de vaidade!
aqui nessa cidade
a exata medida da minha idade:
tenho mil anos de humilhação
e outros mil de vaidade!
Roleta
o coração
repete
sua volta
suicida
no tempo
fascinado
pela saudade
repete
sua volta
suicida
no tempo
o coração
ama
o passado
que o chama
o coração
(todo ele)
é chama!
repete
sua volta
suicida
no tempo
fascinado
pela saudade
repete
sua volta
suicida
no tempo
o coração
ama
o passado
que o chama
o coração
(todo ele)
é chama!
Onde anda o meu amor
onde anda o meu amor
no rio que se encontra
não no mar, lugar comum
mas nos homens, rio nenhum?
meio e fim ele se encontra
no riomar que nos separa
sonhando encontrar no rio
a clara manhã solitária?
onde anda o meu amor
na ponte tempo que o divide
na margem, leito... cais
ou no adeus que nos leva
do nada ao nada mais?
no rio que se encontra
não no mar, lugar comum
mas nos homens, rio nenhum?
meio e fim ele se encontra
no riomar que nos separa
sonhando encontrar no rio
a clara manhã solitária?
onde anda o meu amor
na ponte tempo que o divide
na margem, leito... cais
ou no adeus que nos leva
do nada ao nada mais?
Estação
Com a primavera
tirada dos teus olhos
teci essa solidão indesejada.
O tempo arranca flores embriagadas
e sombreia com tristezas meu coração.
Com a primavera tirada dos teus olhos
teci essa indesejada solidão!
tirada dos teus olhos
teci essa solidão indesejada.
O tempo arranca flores embriagadas
e sombreia com tristezas meu coração.
Com a primavera tirada dos teus olhos
teci essa indesejada solidão!
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