O barco
carregado de palavras.
Sonhos de oceanos e mares espero.
À beira do cais espero o barco e o poema!
Mas o poema está no pássaro, distante de mim
e roça minha língua com seu peso de orvalho.
Espero o poema aventureiro
à beira do cais
em pequenas ondas incessantes.
No mistério dos olhos mais distantes
espero o poema... Porque o poema nasceu
quando o primeiro amor morreu.
O corpo aberto aos quatro ventos
espera o poema, espera o barco.
Na ternura assustada do lamento
o coração espera o poema...
Saindo de mim, a palavra
toca minha língua com seu peso de orvalho.
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