quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pergunta ao pó

à tarde
um canto de morte
e de salvação.
a esperança arrastada
por um corcunda
sem nome e sem pátria.

na cruz da estrada... o sol!

o olhar da tarde
vigia a terra
que se estende aberta.
um canto
de morte e de salvação
esconde sombras resignadas
no pó da estrada.

a palavra
sem rumo
aprende a linguagem
das serpentes.
no sal da cruz: lágrima.
no pó da estrada: o nada!

morto
às margens do caminho
o sonho.
um canto de morte e de salvação
anuncia que a tarde
se abre em recordações.

a vida na sarjeta...
no silêncio da paisagem:
o pó da estrada e uma prece dolorida.
pergunta
pergunta ao pó sobre a vida!

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