quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Inverno

Faz frio... Os cabelos brancos
refletem a solidão líquida do tempo.
O corpo não sustenta o peso das lágrimas
e faz com que o poeta ande cabisbaixo e melancólico.
(melancólico como os retratos esquecidos nas paredes)

Faz frio... Os mortos sussurram na noite escura.
A ossatura da vida desgastou-se com o tempo:
o poeta anda encurvado
e não responde mais a nenhuma pergunta.
Está frio e distante de todos.

Faz frio... O presente não traz mais os seus fantasmas.
Apenas o passado, abrindo as janelas do coração
deixa escapar o pássaro louco da lembrança...
E como dói!

para Déa Thompson

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