só os pássaros compreendem
o silêncio do coração... só os pássaros.
as mãos arrancam do tempo a memória:
palavras... acenos... lágrimas... sangue.
o hálito da noite
entra calmamente no quarto do poeta.
é pequeno o quarto e nas paredes
retratos: pai, mãe, irmãos, amores...
e o mundo que julgava saber de cor.
mas o poeta está distante da palavra
e o coração querendo ser semente
procura desesperado por outro chão.
voar é preciso...
é preciso enxergar a vida e sua história.
encontrar nas árvores o nome escondido.
descobrir nas pedras molhadas das ruas
os amores desfeitos, o corte na carne
o perfume que salta áspero da terra.
é preciso ouvir a vida e sua história.
escutar o canto do pássaro noturno
no silêncio machucado do coração...
só os pássaros compreendem
o silêncio do coração... só os pássaros.
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