sábado, 23 de junho de 2012

Magda

Em teu coração
pulsa um segredo calmo
que abrigas no tempo: amor!

Encontras a palavra densa
e aqueces teus dias de dor
e de céu.

Teces o sentimento mais raro
e vais construindo na saudade
a trilha fecunda da tua vida...

O poeta
arranca
um grito
do coração
enquanto
esfrega
seu sexo
contra a solidão!

Medida

ela cabe
no poema
como um leve
toque de asa
na palavra.
meu corpo
atravessa
a cidade e o mar
quando os olhos
dela (em mim)
deslizam...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Negro amor


a noite 
chega inquieta
como ave perseguida.
sinto forte sua presença.
tomba 
como toldo desarmado!
a grande noite 
com seu negro sangue
escorrendo pelas ruas da cidade...
eu vi um corpo se abrindo nessa noite.
um bicho faminto 
saindo desse corpo.
um coração sussurrando 
seu nome
nessa noite negra feito diamante.
a noite 
chega inquieta
como ave perseguida.
eu vi uma criança faminta nessa noite
procurando 
por sobras de poesia
nas latas de lixo das calçadas.
nessa noite negra 
e desenluarada!

sábado, 9 de junho de 2012

Anunciação

a noite
entra sorrateira
pela janela do quarto

e deságua em mim
carregada de mistérios.

a noite líquida pantera
refletida
no abismo onde me encontro!

Tarde

Tenho
medo da tarde
que esconde o sol
por entre as nuvens

da tarde
de olhos tristes e solitários...

Amareladamente o dia finda.

Lunar

sua
brancura
infinita
(alfazema)
de pele lunar
envolta
é pura luz
em mim...

Noite

A noite
se aproxima
com sua lâmina
abissínia.

A grande noite
de fala misteriosa
oceânica...

As estrelas marinhas iluminam
esse poema navegador solitário!