quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quando pela primeira vez

quando
pela primeira vez amei
era puro, ingênuo e simples
como um dia foi meu coração.

era um sentimento especial:
tanto que o guardei na memória
e furtivamente, escondido de todos
o procurava nos momentos de solidão.

não conhecia teorias literárias nem os grandes poetas
e tinha vaga notícia dos homens e de suas trapaças ao viver.

quando
amei pela primeira vez
era puro demais, ingênuo e sem malícia
como um dia foi meu coração.

hoje
descubro que nada mais restou.
arranquei-o. não o merece este mundo torto.
e meu coração
meu coração ainda bate, mas parece morto!

O que se sabe de mim

o que se sabe de mim
é que roubo palavras ao vento

que coleciono momentos
em pequenos pedaços de tempo

o que não sei... invento
é o que basta dizer

que escrevo versos sem rimas

o que se sabe de mim
é que roubo palavras ao vento

que falo de amor... mas sonhado!


Manifesto

O poema é sobre um caminho:
a marcha dos homens e das mulheres
a marcha de todos nós que lutamos agora.
É para ser meditado apenas enquanto escrevo
ou nos momentos de intensa desilusão e agonia!
Não é para ser a leitura de alguém sem liberdade.
A poesia se basta... É uma luz rara do pensamento.

Escrevo pelo pulsar que o poema deixa no presente.
Escrevo porque o grito exaltado das ruas me fascina.

O poema é sobre o caminho.
Tem a ver com migrar juntos por céus opostos.
É somente um meio de ir ao encontro que assumimos
e acender o fogo da luta antes que ele morra no horizonte!

Elegia

Quando as palavras restarem vazias
e todo o meu sentimento adormecer
entrará em meu quarto sem alegria
trazida de manso pela mão da noite
a saudade... a saudade... a saudade!

Caçador de palavra

eu
caçador de palavra
procuro saídas para o sentimento.
disponho no papel a emoção... alta noite.

sinto a cidade, fonte secreta da palavra
que descansa como se escrevesse poesia.

como se escrevesse... eu, caçador de palavra
assentiria
se me dissessem que a poesia começa
na saudade que "anda  no peito de que ama".

caçador de palavra, procuro. alta noite...
o peito apertado.

encontro a palavra testamento
que se mata em cordas de horizonte!