quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ilhado

consome
a vida do homem
a poesia?
consome seu dia?

poesia é soma
urgência
de letras, argila!

consumido
o homem
a poesia
fecunda seu dia?

poesia é soma
primavera imaginada
ou nada!
ilha no centro do dia
do homem cercado
por quatro paredes.

do homem consumo
- consumido
a poesia é dia?

poesia é brisa
não comunicada.
frescura
de folhas úmidas:
paisagem litografada.

a poesia liberta
o homem do dia?

poesia
é ilha no centro do dia
do homem alado
por quatro paredes cercado!

sábado, 17 de novembro de 2012

Aceito a noite

aceito
a noite
e seu acontecer:
é quando penso
na vida
na sorte
na morte
no poema
que me escapa!

Vem da chuva meu poema

Vem da chuva meu poema.
Desse rio
mar
(que insiste no quintal da casa)
onde mergulho em minha infância.

Vem das chuvas...
Deixo o barco ancorado
no cais da Monteiro da Gama
190.
Entro no poema
e sinto o cheiro da alfazema
que minha mãe guardava
na gaveta da cômoda do quarto.
A casa era simples
e no varal dos dias
havia sonhos secando ao sol.

Vem da chuva. Dos sons da chuva
essa voz insistente que chama
que grita meu nome e me persegue:
é a voz da minha cidade, dos meus mortos
às vezes esquecidos!

Meus irmãos
penhaandréveracaléumalenaregina
caminham abandonados no coração
do homem maduro (menino)
que chora de saudade
perdido na angústia de viver.
Caminham na chuva do tempo...

Vem da chuva meu poema.
Da minha alma partida
que em silêncio segue seu curso:
rio
mar
da vida.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Desce a chuva

a chuva desce
pelo vidro da janela.
estou sozinho.
através da janela
vejo a goiabeira
perdendo suas folhas.
e outra mais.
e outra mais.
e...

faz frio. lá fora
o céu se fecha.
a chuva desce
pelo vidro da janela.
estou sozinho
e fechado feito caracol.
também deixo
meus sonhos caírem.
e outro mais.
e outro mais.
e...
como as folhas
da goiabeira
através da janela.

o céu se fecha.
a chuva desce.
o canário voa triste
e solitário.
estou sozinho.
tudo é cinza
e sólido e concreto.
exceto a poesia!

sábado, 10 de novembro de 2012

Elegia


não
quero
a poesia.
quero
que
a palavra 
ande
em meu texto
senhora de si.

Chuva

tardecinzachuva
quartojanelafrio
chuvacinzatarde
janelaquartofrio
palavracinzafria
friapalavracinza
palavrachuvafrio
tardepalavracio.

Canto

a cidade acordou
(promessa de chuva).
a manhã desata os nós
que a noite deixou.
a palavra e as casas
guardam cicatrizes
como pessoas
guardam lembranças.
a cidade acordou
adoecida de silêncio:
promessa de chuva.
a palavra e as casas
com olhos naufragados:
janelas abertas
papéis rabiscados!
a cidade acordou
parecendo eterna
única no poema
(promessa de procura
e de tédio).

chove...
as casas e a palavra
lambem suas feridas:
reflexo da manhã morta.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Espera

s
ó
o
coração
s
ó
de
s
espera
!

Lição de esquecimento

o
silêncio
com suas equações
inexatas de saudade
fere-me nesta manhã
que se repete.
sigo engolido pelo tempo...
minha poesia é lição de esquecimento!

Tempo

meus dias
estão vazios
como esta tarde
solitária
onde me encontro.
o desejo ou sonho
fugiu pela janela
que o vento
da tarde
abriu.
meus dias
estão frios
como esta tarde
solitária
onde me encontro.
é tempo de solidão
de palavras simples
de mistérios outros
de...