segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Idade

cidade
saudade
saudade
cidade
ci(sau)dade
(c)idade
(mo)cidade:
amorcidade!

Cidade

as palavras
fundem-se ao corpo
e nada dizem da saudade
...
o tempo consumindo
as lembranças da cidade
...
grita o coração: te amo
mulher guardada na poesia
cidade-jardim
de ruas e esquinas
...
metamorfose de amor e nuvem
beijo esquecido inaugurando rugas
...
grita o coração: te amo
cidade-bar pico da bandeira
...
no branco da folha a (pa)lavra o tempo...

Retrato

havia o jardim da pracinha
onde as rosas eram colhidas
sempre à noite e em silêncio.
havia a casa da rua vinte e um
onde morava a bela menina
que roubava nossos sonhos.
havia o gesto simples de amar
e o sorriso alegre e necessário
ofertado sempre aos amigos.
existiam as manhãs ensolaradas
e as diversas ruas e escadas
que terminavam quase sempre
no colégio do fim da avenida.
havia o gesto simples de amar
a doce professora de história
(mesmo que sufocado e triste).
existiam aqueles mais próximos:
andávamos perseguindo sonhos
desconstruindo a vida e o tempo
falando dos encontros futuros
que nos aqueceriam na saudade!
...
hoje arrasto meu corpo no mundo.
existe o gesto de amar - mas mudo.
há um jardim sem rosas - é tudo -
onde alimento os sonhos-pássaros
com pedaços pequenos de saudade...

Definição

o que sei da essência?
do beijo que se foi fica o perfume...

o desejo estava em mim antes do desejo.
terrível futuro: não viver aquilo que sonhei!

o que sei da luta da vida?
do tempo que passou fica a saudade...

o que sei da guerra dos homens?
- nada!

(só
minha alma beija o ar leve da manhã
e olha a paisagem confusa e perdida da cidade
e sorri - apenas sorri - para o improvável)

Instante

está vazio meu coração
como as noites sem estrelas...

as palavras parecem as mesmas
mas o homem não é mais o mesmo!

ele é apenas o desejo que sangra
- aberto
e nada mais.

Paisagem

A tarde cai suavemente.
Gaivotas no azul do céu...

O mar observa o fim do dia
e o dia se esconde no silêncio.

Vem a noite
com seu espetáculo de estrelas!
...
Antes que o inverno cubra meu corpo.
Antes que a brisa leve os sonhos meus.
Antes que a noite, aquela que não desejo
se encontre com o tempo que escorre...
Quero a tarde que cai suave
aprisionada no instante do poema.