sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Fado triste

Minha alma está povoada
do amor que enfim cresceu.
Depois... Oh, abandonada
por um que jamais fui eu.

Triste

Uma história de amor
que não pode ser vivida
é uma história triste...
em qualquer língua!

sábado, 19 de novembro de 2011

Feitiço

no feitiço
da tua carne repousa a lua.

a noite
vem habitar o silêncio da rua.

na noite que cai
uma réstia de saudade...

teus beijos: minha vontade!

Espelho

Tento
recompor
sua falta na memória:
reflexo de mim mesmo.

Recolher os cacos
do amor que se quebrou...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Legado

Em mim
uma multidão
habita.

Guardo
essa consciência
líquida
incrédula
dos vários que sou.

Minha nau partiu
comandada por muitos...

De mim
único
nada restou.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Canção para esquecer

Quando
perdi você
pela segunda vez
o dia acordou calado...
sua mão quente e carinhosa
me fez falta.

Quando
perdi você
pela segunda vez
minha pele recolheu arrepios:
fiquei só... e com frio.

Fado

O mar
(en)
cantava
um coração
que levava
a vida triste e vazia.

O mar
mais que o vento
sabia
que o coração de amar...
morria.

Diz vento triste:
seu canto... o que parecia?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A primeira vez

Quando
perdi você
pela primeira vez
um vento frio percorreu
meu corpo só... congelei:
era o dia perdendo o sol.

Quando
perdi você
pela primeira vez
chorei feito criança
escondido... desesperado.

Quando
perdi você
pela primeira vez
o coração jogou fora
todas as lembranças...
E chorei, chorei feito criança!

Predestinado

Em meu coração
um segredo pulsa
triste... amargo.

Em meu coração
uma ramagem
densa
de dor e de céu.

Em meu coração
teço um amor
mais claro... raro:

melhor que o seu!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Destino

não há
como fugir
agora
não há
como mentir:
amar... amor
se precipício
nos melhora!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Oculto

O segredo
ficou guardado
durante muito tempo.
Era o medo... o desejo
de querer... de me perder
neste querer!

Um segredo
assim tão nobre
não se entrega facilmente.
São os anos... pobres enganos
de quem já sofreu... e sofre de amor!

O segredo
ficou fechado
durante muito tempo.
Era o medo... o desejo de me perder.

O segredo é você!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Calendário

moça nua
na janela
gritou pela foto...
todos os sentidos
vibraram naquele instante!

sua sombra em minha vida
moça bonita e nua na janela.

pensei um poema... ela merecia!
um poema com seu peso em minha vida.
com seus olhos, seu cheiro... ou coisa parecida.

Conhecimento do pássaro

só os pássaros compreendem
o silêncio do coração... só os pássaros.
as mãos arrancam do tempo a memória:
palavras... acenos... lágrimas... sangue.

o hálito da noite
entra calmamente no quarto do poeta.
é pequeno o quarto e nas paredes
retratos: pai, mãe, irmãos, amores...
e o mundo que julgava saber de cor.

mas o poeta está distante da palavra
e o coração querendo ser semente
procura desesperado por outro chão.

voar é preciso...
é preciso enxergar a vida e sua história.
encontrar nas árvores o nome escondido.
descobrir nas pedras molhadas das ruas
os amores desfeitos, o corte na carne
o perfume que salta áspero da terra.
é preciso ouvir a vida e sua história.
escutar o canto do pássaro noturno
no silêncio machucado do coração...

só os pássaros compreendem
o silêncio do coração... só os pássaros.

Pergunta ao pó

à tarde
um canto de morte
e de salvação.
a esperança arrastada
por um corcunda
sem nome e sem pátria.

na cruz da estrada... o sol!

o olhar da tarde
vigia a terra
que se estende aberta.
um canto
de morte e de salvação
esconde sombras resignadas
no pó da estrada.

a palavra
sem rumo
aprende a linguagem
das serpentes.
no sal da cruz: lágrima.
no pó da estrada: o nada!

morto
às margens do caminho
o sonho.
um canto de morte e de salvação
anuncia que a tarde
se abre em recordações.

a vida na sarjeta...
no silêncio da paisagem:
o pó da estrada e uma prece dolorida.
pergunta
pergunta ao pó sobre a vida!

Erosão

o verso começa
na busca certa
(garimpo)
da palavra
no sentimento
contido (escondido)

mas não estou seguro da palavra

porque fugiu
dos meus olhos
o sentimento
do mundo... inexplicavelmente

a palavra
e
eu
nos abandonamos

não estou seguro da palavra

e
o verso
começa
a erodir!

Escondido

escrever um verso: improvável.
lá fora chove... no branco não
chove palavra, se(o)mente água.

que sucede à água? (amor)nada
que fazer da palavra? on(a)gua.
sensação cristalina: minha rima.

tudo desa(parece) um belo dia!
o verso improvável, quem diria
acontece(u) no oposto do querer.

perdida no bosque, ao entardecer
esboçada nua no ventre da pedra
brilha impre(visível) a palavra.

no branco da folha o desafio:
escre(ver) o ver(so) sob o vazio
da inspiração... do não sentido!

Inexato

nem sempre estamos juntos
nem sempre.
nem sempre nos recolhemos
nos mesmos sentimentos
nem sempre.

nem sempre percorremos
o mesmo mapa, o mesmo sonho
nem sempre.

nem sempre apanhamos
as mesmas pedras do caminho
nem sempre o mesmo carinho
nem sempre.

nem sempre beijamos com a mesma boca
nem sempre
nem sempre.

nem sempre escutamos o tempo que passa
nem sempre repetimos o nosso dia perfeito
nem sempre o amor dá seu jeito
nem sempre
nem sempre
nem sempre...