quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Elegia

Escondidas no sorriso claro da noite
Recolher estrelas, procurar palavras
Como artigos raros de inventário...
Repeti-las sempre, sempre e sempre
Até que o corpo marcado e cansado
Esqueça as feridas que o amor deixou.

Escondidas no mar esquecido da História
Recolher palavras, porque é Lusa a língua
Que falamos; o encontro que pretendemos.
Mas é preciso retirar-lhe o véu do corpo
Encontrar-lhe os misteriosos portos não
Tocados e mostrá-los abertos aos sentidos.

Escondida no perfume quente da pele
Encontrar você, que povoa meus sonhos
E desvenda minha sina. Porque estou
Amarrado à sombra do seu jeito, invento
Banhada em velho sal, imagem cristalina
E vento e maresias e o sol do fim do dia.

Escondidos no verde-claro da manhã
Encontrar caminhos... Que as palavras
São cultivadas sempre com espinhos.
Porque a vida não é fácil assim sozinho
E joga contra o destino a sua vontade
Como a língua é desvendada com a chave!

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