segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Outonal


O dia principiou chuvoso.
Da janela 
observo as árvores caladas.
Parece que todos estão em silêncio.
Escuto a chuva caindo...
Sou criança 
brincando com barquinhos de papel 
no rio que se forma entre a rua
e o meio-fio da calçada.
Sou adulto pensando nos versos para a amada!
A tarde continua chuvosa.
Lembranças fazem de mim menino triste e solitário.

Em que parte do meu sonho
ficaram presas as minhas lembranças?
Em meu coração é que chove
e quanto mais escrevo mais líquido fica o dia.

O dia principiou chuvoso.
Meus olhos procuram os seus e encontro seu retrato 
- continua linda!
Vem... Sol da minha vida e aquece meu coração nublado.

Alma

sua alma:
música
do mar
cheiro
da brisa
garoa nua
luz da lua
pelo felino
riso menino...

sua alma:
minha paz!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Esquecimento

O que
procuro
em ti, menina
delicadamente
bela
é esquecer de tudo
esquecer de mim...

Estrela

à noite
uma estrela
brilha mais que as outras.

à noite
solitária
uma menina
brilha mais que as outras:

minha estrela!

O que dói na solidão

O que dói na solidão
é essa batalha que não termina
porque pensar em você virou rotina.
O que mais dói na solidão
é quando no silêncio da noite
sua presença vem dar em mim.
O que dói mesmo na solidão
é esse desejo louco que tenho
de olhar nos olhos seus e não poder falar
porque cheguei depois... bem depois.
O que machuca demais na solidão
é esse gosto amargo de saudade
do sorriso seu... da boca sua.
É ter conhecido você
e aprendido a sentir em tão pouco tempo
a dor cansada da sua ausência.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Redescoberta

a saudade
atravessa minha vida
como um rio profundo.

penetra meu amor
em minha vida... em meu rio
cura as feridas
apaga as cicatrizes que restaram
anima o coração desesperançado!

a saudade
atravessa minha vida
como um rio profundo.

Descoberta

Depois de tanto tempo encontrei você.
O sorriso denunciou que era você.
Depois de tanto tempo nada mudou.
Mas não sou o mesmo... E a memória pesa.

Como dizer que sentia sua falta
em cada lembrança trazida pelo vento?
Como mostrar que continuo sangrando
e que sou o mesmo não sendo o mesmo?

Não tive a única filha que sonhamos.
Não deixei seu nome nas árvores.
Não construí casa... O único bem que restou
foi o gosto amargo daquele último beijo.

Depois de tanto tempo encontrei você.
Não... Não encontrei... É outra agora!
Você ficou na distância, guardada
escondida na folha de um livro de matemática
no sonho de crescermos e de vivermos juntos.

(as mãos do tempo destravam a chave
das palavras mágicas: amor e saudade)

Depois de tanto tempo encontrei você
e já não sei o que é amar... Vivo apenas.
O coração vazio caminha descompassado.
Fujo das lembranças e de tudo de você
que ainda insiste, está marcado em mim.
Depois de tanto tempo não chegou o fim!

Resignado

a história da minha vida:
o sorriso escondido no escuro
palavras rabiscadas em versos - no muro
a saudade que ficou para sempre
e este olhar tão comum sobre as coisas...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Segredo

Queria muito
não te amar assim
ou pelo menos
por tanto te amar
saber dizer: te amo!
Em vez disso
eu me engano:
por dentro eu falo
por fora me calo
por ora me dano...
Ou
melhor ainda:
finjo que não sei
e não ouso saber
que te amo!

Tarde

como um rio tranquilo
a tarde. porque os olhos
ficaram presos, acorrentados
na impossibilidade do sonho
como um rio tranquilo
a tarde lá fora. mas na sala
onde me encontro, dentro
como bala perdida
o coração procura o seu.
porém não posso, não devo!
porque há uma solidão de lábios
em minha boca, a tarde tranquila
como um rio tranquilo lá fora.
dentro, quebrar a janela
que me prende e nada muda.
no coração o amor e nada muda.
apenas em mim o que sinto
como essa lágrima que cai
na tarde tranquila como um rio.
mas dentro de mim o vazio.
fora de mim não há respostas...

Sangrando

hoje
arranquei de mim
o que me tornava triste.
um corte profundo:
sangue
lágrimas
sonhos
o amor!

resto eu vazio...

ah, a dor
de não poder sonhar
de não poder amar!

hoje
arranquei de mim
o coração
as canções de amor.

a vida sozinha outra vez...

Fugir

meu coração
queria seguir
com o rio
sempre tão triste
sempre tão vazio.
apenas seguir...

meu coração
queria fugir do frio
fugir de mim
do homem atrás dos olhos
abandonar este olhar sombrio.
apenas fugir...

meu coração
queria seguir com o rio...
- meu coração é o rio
o rio da minha cidade
o rio da minha saudade.

sábado, 15 de outubro de 2011

Éla

Éla
não olhava
como as outras
como nenhuma outra.

mas quando entrava na sala
e olhava nos meus olhos
o dia ficava suspenso
o homem se transformava em menino.

Éla
quando entrava  na sala
fazia o coração pular de alegria...

hoje não!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Novamente você

você:
um oceano
de rosas submersas...
não sentido!

e não te toco
e não te encanto
e não me encontro.

um oceano
de rosas submersas...
e não me afogo!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Noturno

noite:
os olhos
abertos
silêncio
na rua
a cama
vazia
reclama
a falta tua...

Ultimato

quero me limpar
do cheiro do seu perfume
desfazer o nó que sua ausência
deu no meu coração.

quero mudar
a forma do seu corpo
que tão simplesmente
se encaixa no meu.

quero fugir da sua presença
esquecer o seu nome
livrar-me do que me oferece
dizer adeus...

Entrega

procurava
no corpo do outro
a continuidade...

quando se instalou
dominou seus espaços
sentiu seu calor
bebeu da água
vibrou com seu cheiro
suou... se perdeu!

procurava
no corpo do outro
a sensibilidade...

quando se instalou
distraído
ficou sem saída
ficou sem respostas
prisioneiro da vida!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Fascinação

se tivesse palavras
para falar dessa menina
que me encanta
usaria de metáforas mágicas
infalíveis, certeiras...
talvez essa menina decidisse
entrar pela janela entreaberta
- como a brisa da madrugada -
e se aconchegasse em meu colo.

se tivesse palavras
faria essa menina adivinhar
os segredos do meu silêncio tímido
do meu olhar fascinado
e por um milagre repentino
talvez ela ficasse ao meu lado.

se existissem palavras
para falar dessas coisas do coração
falaria abertamente do meu coração tão só!

Fuga

no meio da fuga
o coração pulsa um segredo.
no meio da fuga
os olhos refletem o medo.

no meio da fuga
mostro um amor que é leve.
no meio da fuga
o mapa das nossas palavras!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ainda você

pontualmente
de manhã bem cedo
:
o sol
o pássaro
o vento
- entrando pela janela
a oração
o cheiro do pão
saindo do forno
o café forte
o coração aberto
a saudade insistente de você...

pontualmente!

Penso em você...

a lua
nos olhos
testemunha
a lágrima que cai
o grito da saudade.

é madrugada
penso em você:
meus medos
desaparecem
não há mais nada.

penso em você
quando amanhece
e esqueço a vida
por um momento.

penso em você
a todo instante
e louco sinto seu cheiro
chegando com o vento!

Quadrilha

Um poema tranquilo, sereno
Livre das decepções cotidianas.
Um poema onde a alegria fizesse morada
E com ela o colorido das horas matinais.

Que o sol trouxesse o perfume das manhãs
E as janelas abertas conversassem amenidades
Desinteressadas das matérias dos jornais.

Um poema que distanciasse homens e mulheres
Da arrogância das palavras...
E que as palavras lavrassem a paz!

Uma manhã... Uma sabiá cantando...
Uma semente lançada no campo.

Um poema que chamasse a atenção de todos.
Um poema onde o amor fizesse morada.
Um poema de amor!

Que Tereza encontrasse João e a felicidade.
Que Joaquim abraçasse a vida
E desfizesse as armadilhas do coração.

Um poema, meu Deus, um poema
Onde todos os nomes fossem pronunciados
E que fizesse de todas as Marias mães, filhas e tias.
Um poema que fizesse Wandréa sorrir!

Fica comigo

mais um dia
comigo... fica.
e a chuva passa
o sorriso volta.
mais um dia
comigo... fica.
e cantaremos o amor
como os pássaros
cantam a primavera!
não sentiremos frio
não sentiremos dor.

mais um dia...
e encontrarei
as palavras mais belas.
me deitarei em seu colo
com minha esperança maior.
mais um dia
comigo... fica.
e mostrarei os meus segredos
meus medos, o que for.

mais um dia
comigo... fica.
e seremos amantes.
os instantes não se perderão.
mais um dia
comigo... fica.
até a última batida do coração!

Insatisfação

anoitece
incompleto
o meu amor...
a lua me disse
que seria assim!

anoitece
incompleto
o meu amor...
a lua me disse
que é sempre assim!

anoitece
incompleto
o meu amor:
como um sussurro
no escuro
e... fim!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O que sei dizer do amor

Depois que você
se desapegou de mim
andei tonto pelas ruas
um molambo
sonâmbulo
quis me atirar no mar.

Depois que você
se desapegou de mim
atravessei um deserto
sob o sol e as noites sem luar.

É o que sei dizer do amor!

Seu perfume

um bom poema
vale mais do que uma praça
mais do que todas as árvores
que lá existem
mais do que todos os casais
que por lá andam.

vale mais
do que todas as casas
todas as luzes
do que todas as pessoas
que se sentem tocadas por ele.

um bom poema
vale mais que a morte!

só não é maior
que o cheiro do seu perfume
quando você entra nesta sala...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Satisfação

da vez primeira
que toquei naquele corpo
ficou em mim
o desejo de tocar mais
de sentir mais... profundamente!

da vez primeira
que toquei naquele corpo
ficou o desejo de continuar
de eternizar o amor.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Desabafo

você
é o vento quente
que me acompanha
a palavra
que não precisa ser decifrada...                            
                     

Tatuagem

quero ficar
sempre
no seu corpo
e o que as palavras
não alcançam - eu ao avesso
as mãos
garantem o recomeço!

Vazio

De quem
é esta saudade
que meus silêncios
invade
entristecendo meus dias
lágrima
molhando a cidade
que de tão longe me vem
de quem?!...

Retrato

a vida guardada em gavetas.
quando abertas... que saudade!
em cada gaveta lembranças:
o coração criança
o beijo ardente - roubado
um pouco do que fui
um pouco do que sou.
vozes distantes nas gavetas
como o vento que agora
passou pelo quarto e não ficou.
discursos emocionados
o sonho de transformação
o sorriso largo, abraços
retratos abandonados...
em cada gaveta
os versos imperfeitos
os lábios sujos meu amor
sua boca sua boca... minha dor.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Depois

tempo
não
é
o
que
passa
mas sim
o
que
fica
cercado
guardado
entre
quatro
paredes
prisioneiro
da
própria
vida!

O que é meu

tudo 
o que é meu
cabe no espaço
de uma só mão.
é pouco... miúdo!

tudo
o que é meu
trago guardado
no coração.
é pouco... pequeno!

tudo 
o que é meu não é...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nunca mais

dia de chuva
a mão procura a palavra
escondida na lágrima:
não encontro a palavra
apenas a ilusão do verso
nada mais
nada mais
nada mais

um dia de chuva
e nada mais? nenhuma palavra?

(um oceano de recordações
me arrasta)

dia de chuva
e não encontro a palavra:
apenas a ilusão do verso
nada mais
nada mais
nada mais

Visão do mar

a tarde estava calma.
o vento
deixava marcas estranhas na areia.
a                   d               o
    s       n               s                a
        o              a               m         r
em
           um       mo          men         to
                              vi    contínuo
molhavam os pés dos homens
e das mulheres: pés que se misturam
que se completam
na busca do alimento necessário.

crianças brincavam na areia    o
naquela tarde calma e      d     a...  u
                                              r
- a rede saía do mar carregada de peixes -

escondido e cansado
observo a paisagem:
todos estão em silêncio
- na areia da praia
como um canto profundo
que solta da boca do mar e invade a cidade!

Espera

O barco
carregado de palavras.
Sonhos de oceanos e mares espero.
À beira do cais espero o barco e o poema!
Mas o poema está no pássaro, distante de mim
e roça minha língua com seu peso de orvalho.

Espero o poema aventureiro
à beira do cais
em pequenas ondas incessantes.
No mistério dos olhos mais distantes
espero o poema... Porque o poema nasceu
quando o primeiro amor morreu.

O corpo aberto aos quatro ventos
espera o poema, espera o barco.
Na ternura assustada do lamento
o coração espera o poema...

Saindo de mim, a palavra
toca minha língua com seu peso de orvalho.