Tenho
medo do tempo.
Do tempo lágrima
que molha a várzea do rosto.
Do tempo cicatriz da memória:
remédio salvador da palavra
matéria
que serve a todo poeta.
Tenho medo do tempo.
Do tempo que deixa
um cheiro de saudade
dos seus olhos: lua cheia na noite.
sábado, 28 de abril de 2012
Eu te direi
Eu te direi quem sou
quando tirares dos olhos
aqueles pássaros noturnos
companheiros solitários
desse exílio em que te encontras
Quando me contares
(luz que em mim habitava)
o que foi feito de ti
Sim eu te direi quem sou
quando palavras caírem
desse coração
que vaza dos meus olhos...
quando tirares dos olhos
aqueles pássaros noturnos
companheiros solitários
desse exílio em que te encontras
Quando me contares
(luz que em mim habitava)
o que foi feito de ti
Sim eu te direi quem sou
quando palavras caírem
desse coração
que vaza dos meus olhos...
Fuga
Tua fuga me cansou.
E fugiste levando o sol
debaixo do braço...
Deixaste apenas esquinas
e ruas e cidades escondidas
na escuridão da tua ausência.
Tua fuga me cansou.
E deixaste (em mim)
a ferida aberta, que sangra
e um sorriso inacabado
entre o osso e a artéria.
Tua distância o tempo acelera.
Tua fuga me cansou.
E levaste a precisão do beijo
debaixo do braço.
Deixaste apenas a essência
da tua presença (em mim)
acorrentada.
Tua fuga me cansou.
E calaste a orquestra das palavras!
E fugiste levando o sol
debaixo do braço...
Deixaste apenas esquinas
e ruas e cidades escondidas
na escuridão da tua ausência.
Tua fuga me cansou.
E deixaste (em mim)
a ferida aberta, que sangra
e um sorriso inacabado
entre o osso e a artéria.
Tua distância o tempo acelera.
Tua fuga me cansou.
E levaste a precisão do beijo
debaixo do braço.
Deixaste apenas a essência
da tua presença (em mim)
acorrentada.
Tua fuga me cansou.
E calaste a orquestra das palavras!
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Labirinto
A poesia
não jorra.
Virou palavra
aprisionada
memória calada
dos dias e das noites
que jorrava!
não jorra.
Virou palavra
aprisionada
memória calada
dos dias e das noites
que jorrava!
Olhar
Completo
da poesia
açulo
a memória
espantada
dos instintos
a querer-te:
mulher linda
falsa
tímida
excitada...
da poesia
açulo
a memória
espantada
dos instintos
a querer-te:
mulher linda
falsa
tímida
excitada...
Morre o dia
morre
o dia
e tomba
morto, desarmado...
o céu escancara, escuro
a boca que engole o mundo.
nasce a poesia!
o dia
e tomba
morto, desarmado...
o céu escancara, escuro
a boca que engole o mundo.
nasce a poesia!
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Refazer
Releio suas cartas.
Não adianta: esvaziei.
Debruço-me sobre o pensamento.
Reviro todas as hipóteses: nada.
Onde está a estrela
que fazia brilhar meu desejo?
As coisas acabam: isso é tudo!
Recomeçar... Reconstruir
a partir de uma lembrança
que chegou com o vento...
Não adianta: esvaziei.
Debruço-me sobre o pensamento.
Reviro todas as hipóteses: nada.
Onde está a estrela
que fazia brilhar meu desejo?
As coisas acabam: isso é tudo!
Recomeçar... Reconstruir
a partir de uma lembrança
que chegou com o vento...
Fluidez
Janela aberta.
O domingo chega
com seus signos
e traz recordações
que me pertencem.
Contemplo
o tempo que flui
resplandecente!
Outros sentimentos
acordam o desejo
guardado em segredo.
O domingo
se estende nas telhas
e limpa as trevas e o medo.
Janela aberta:
o dia não existe.
Existe o domingo
encravado no seu íntimo.
E tudo o mais, mesmo o amor
é algorítimo...
O domingo chega
com seus signos
e traz recordações
que me pertencem.
Contemplo
o tempo que flui
resplandecente!
Outros sentimentos
acordam o desejo
guardado em segredo.
O domingo
se estende nas telhas
e limpa as trevas e o medo.
Janela aberta:
o dia não existe.
Existe o domingo
encravado no seu íntimo.
E tudo o mais, mesmo o amor
é algorítimo...
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