a
alegria
tece o dia
lá fora.
alheia
- dentro
a lágrima que cai
ignora.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Despedida
Abre o coração:
nas coisas que te cercam
o passado triste e inquieto.
Abre o coração:
ressurgem as lembranças
e os dias felizes são alvos
de ataques.
Esquece a aventura
e canta a inacabada
a improvável certeza da vida.
Oferece-te à descoberta do novo
mas... esquece.
No que nos repetimos
o que vivemos é pintura
onde o tempo trabalha
sua trama
impregnada de saudade.
...
Recolhe o que te dei ao nada
e esquece.
nas coisas que te cercam
o passado triste e inquieto.
Abre o coração:
ressurgem as lembranças
e os dias felizes são alvos
de ataques.
Esquece a aventura
e canta a inacabada
a improvável certeza da vida.
Oferece-te à descoberta do novo
mas... esquece.
No que nos repetimos
o que vivemos é pintura
onde o tempo trabalha
sua trama
impregnada de saudade.
...
Recolhe o que te dei ao nada
e esquece.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Wandréa
Deus
está nos seus lábios
na sua voz
nos seus olhos
no seu sorriso
e anda por entre seus cabelos.
está
nesses versos que escrevo
com os dedos do coração
quando sinto sua presença.
existe!
é o que sei... quando me lembro de você.
está nos seus lábios
na sua voz
nos seus olhos
no seu sorriso
e anda por entre seus cabelos.
está
nesses versos que escrevo
com os dedos do coração
quando sinto sua presença.
existe!
é o que sei... quando me lembro de você.
Você
e
se o amor despertar
os corações
ouvirem seu grito?
e
se o desejo crescer
o silêncio deixar de existir?
e
se a vontade voltar
e as mãos se tocarem?
e
se o perfume ficar
a noite acabar
o sol insistir
seu sorriso se abrir?
se o amor despertar
os corações
ouvirem seu grito?
e
se o desejo crescer
o silêncio deixar de existir?
e
se a vontade voltar
e as mãos se tocarem?
e
se o perfume ficar
a noite acabar
o sol insistir
seu sorriso se abrir?
Solidão
o vento da noite na lembrança...
um perfume distante
denuncia o que restou escondido.
- tudo é solidão...
no meio do tempo me desfaço
e o que fica - embora na lembrança
é o vento da noite
triste. e dele não escapo!
um perfume distante
denuncia o que restou escondido.
- tudo é solidão...
no meio do tempo me desfaço
e o que fica - embora na lembrança
é o vento da noite
triste. e dele não escapo!
Êxtase
quando chove
uma sombra esconde
as casas simples na serra.
imensa... longe!
quando chove
a terra chora.
sussurra o vento
um lamento - triste
de criança abandonada.
no asfalto úmido
o dia acaba!
uma sombra esconde
as casas simples na serra.
imensa... longe!
quando chove
a terra chora.
sussurra o vento
um lamento - triste
de criança abandonada.
no asfalto úmido
o dia acaba!
terça-feira, 27 de setembro de 2011
A morte do pássaro
No instante da chuva
a morte do pássaro.
Súbita!
No silêncio da rua
o barulho da queda.
Meu coração ouviu o grito
ninguém mais.
Grito de pássaro ferido
em pleno vôo.
Único!
Dentro da noite fechada
a morte me olha
nos olhos do pássaro.
Trágica!
Dentro da noite escura
a morte repousa
no silêncio da rua...
a morte do pássaro.
Súbita!
No silêncio da rua
o barulho da queda.
Meu coração ouviu o grito
ninguém mais.
Grito de pássaro ferido
em pleno vôo.
Único!
Dentro da noite fechada
a morte me olha
nos olhos do pássaro.
Trágica!
Dentro da noite escura
a morte repousa
no silêncio da rua...
Lunar
Vinha
não sei de onde
o rumor de uma voz.
Não sei de onde
o cheiro triste do crepúsculo
em nós.
A amargura sem fim
de um sonho vão
não sei de onde
outras tantas virão...
não sei de onde
o rumor de uma voz.
Não sei de onde
o cheiro triste do crepúsculo
em nós.
A amargura sem fim
de um sonho vão
não sei de onde
outras tantas virão...
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Pedido
quero dançar
com você
quebrar o silêncio
arriscar um pedido...
aquecer o inverno
do meu corpo no seu corpo
e
no encontro de nossas bocas
flutuar entre as palavras.
quero dançar com você
na rua na cama no baile...
em qualquer lugar!
quero dançar
com você
e sentir o doce desejo
- do beijo
que sustenta este poema.
com você
quebrar o silêncio
arriscar um pedido...
aquecer o inverno
do meu corpo no seu corpo
e
no encontro de nossas bocas
flutuar entre as palavras.
quero dançar com você
na rua na cama no baile...
em qualquer lugar!
quero dançar
com você
e sentir o doce desejo
- do beijo
que sustenta este poema.
sábado, 24 de setembro de 2011
Ausência
sinto
assim
sua falta:
um sorriso
no fim da tarde
o barulho do mar
a lua imensa e triste
os olhos debruçados
refletindo o luar...
sinto sua falta tão forte
que nem minha voz
m
ai
s
a
l
t
a
atinge você.
assim
sua falta:
um sorriso
no fim da tarde
o barulho do mar
a lua imensa e triste
os olhos debruçados
refletindo o luar...
sinto sua falta tão forte
que nem minha voz
m
ai
s
a
l
t
a
atinge você.
Amanhecer
dói
a vida
no grito
anunciador
do galo.
também eu
grito de dor
anunciando a dor
de que tanto falo!
- reinventar a luz na noite fria
é vida que dói onde não devia.
a vida
no grito
anunciador
do galo.
também eu
grito de dor
anunciando a dor
de que tanto falo!
- reinventar a luz na noite fria
é vida que dói onde não devia.
Da cultura e dos néscios
Outro dia alguém me chamou de néscio. Curioso, perguntei-lhe o significado da palavra. Depois de idas e vindas, o incauto confessou-me "que não sabia e que a escutara em uma reportagem da Globo". Assim somos nós: lemos menos jornais e menos livros e, em contrapartida, estamos vendo mais horas de televisão. Viva a "cultura televisiva"!
Não vou tentar definir o que é cultura, como fizeram muitos. Só o homem é cultural. Faz parte da cultura tudo o que é adquirido após o nascimento. Cito um velho e estimado professor que dizia "ser cultura tudo aquilo que fica, depois de tudo se ter esquecido".
Cada pessoa, cada comunidade e povo têm sua própria cultura. Mas insistimos em desprezá-la, porque estamos virados para a sobrevivência, para o estritamente necessário; faltam-nos tempo e possibilidades econômicas para criar momentos de lazer, indispensáveis para contatos com as fontes culturais. Assim, nosso aprendizado tem vindo da televisão. É incrível a quantidade de pessoas que pensam conhecer sobre esta ou aquela matéria!
Vejo, triste, minha cidade ser contaminada por políticos, profissionais liberais e até mesmo professores que, vivendo na superficialidade, julgam-se capazes de gerenciar a coisa alheia. São tantos os títulos que ostentam, as posições sociais que procuram manter, que tenho pena. Não conseguem segurar uma hora de discurso sobre determinado assunto, mas... aos néscios, as batatas!
Temos de arriscar mais; desligar a televisão e reconhecer nossas limitações. Precisamos de um toque de mágica que permita à pobre Cinderela se transformar em uma bela e encantadora princesa.
Recomendo aos néscios um reforçado e enriquecido embasamento cultural. Leituras e mais leituras são necessárias. Devemos ler Machado, Shakespeare, Camões... Cervantes e Dickens; conhecer e apreciar as obras de Malfati, Degas, Rivera, Michelangelo e todos os grandes artistas plásticos da história; necessitamos ouvir os acordes e as letras de gigantes como Jobim, Gershwin, Beatles, Elvis, Ellington, Armstrong, entre tantos; saber das conquistas de Einstein, Darwin, Santos Dumont, Oswaldo Cruz, Piaget; entender Adorno, Kant, Foucault e outros filósofos; carecemos das imagens de Truffaut, Hitchcock, Glauber, Spielberg, Antonioni, Fellini, Kurosawa...
Sem que tenhamos contato com as principais referências culturais das diversas áreas de produção intelectual humana, como podemos pretender a realização plena das idéias?
Somos, sem o apoio desses gigantes, meros repetidores de conceitos e idéias, desprovidos de imaginação e de asas próprias que embalem nossos sonhos, os melhores de nossos vôos.
O mundo não termina em nossas belas praias; o mar lambe nossos pés e traz notícias de coisas novas... Recomendo aos cegos de Piúma uma caminhada ao topo do Monte Aghá. Lá o vento frio arrancará de nós a ignorância e nossos olhos se abrirão para a liberdade. Quanto ao significado da palavra néscio... procurem um dicionário da nossa Língua.
Sumiço
depois que você foi embora
os pássaros ficaram mudos
tudo perdeu a graça
o mundo virou esse absurdo
depois que você foi embora
ficou essa dor que não passa
me vi sem meus escudos
no lado oposto do eterno
depois que você foi embora
a vida virou esse inferno!
os pássaros ficaram mudos
tudo perdeu a graça
o mundo virou esse absurdo
depois que você foi embora
ficou essa dor que não passa
me vi sem meus escudos
no lado oposto do eterno
depois que você foi embora
a vida virou esse inferno!
Nu
O sentimento coagulado:
orvalho nos olhos!
Imperiosa e nua
sua pele
com seus becos
com seu cheiro
que tanto conhecia.
No rosto do tempo, seus olhos
a
d
o
r
m
e
c
idos.
Imperiosa e nua, brinca comigo
sua pele... E desejo sua geografia
que conheço e não esqueço.
orvalho nos olhos!
Imperiosa e nua
sua pele
com seus becos
com seu cheiro
que tanto conhecia.
No rosto do tempo, seus olhos
a
d
o
r
m
e
c
idos.
Imperiosa e nua, brinca comigo
sua pele... E desejo sua geografia
que conheço e não esqueço.
Desejo
tudo o que quero
é a paisagem sem janela
porque viver não faz sentido
sem ela!...
tudo o que quero
é o tempo sem demora
porque está cheio de saudade
o coração!...
por que toda dor tem hora?
tudo o que quero
é cegar a lâmina dos anos
é arrancar do peito a solidão.
por que toda dor tem forma?
é a paisagem sem janela
porque viver não faz sentido
sem ela!...
tudo o que quero
é o tempo sem demora
porque está cheio de saudade
o coração!...
por que toda dor tem hora?
tudo o que quero
é cegar a lâmina dos anos
é arrancar do peito a solidão.
por que toda dor tem forma?
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Fim de tarde
Tenho os olhos cansados
e bebo a luz da tarde com humildade.
Caminho... as árvores estão caladas.
Sinto pena dos meus mortos e de mim.
Uma fascinação retorcida
toma conta do instante
e faz o coração gritar
e dançar numa calçada.
A vida fez de mim solidão aprisionada
e adiou a felicidade para um outro tempo.
Trago os olhos cansados
e bebo a luz da tarde com humildade.
Sinto pena dos meus mortos e de mim.
Aceitação da morte assim como ela é:
pequeno cais de todas as sensações à beira do nada!
e bebo a luz da tarde com humildade.
Caminho... as árvores estão caladas.
Sinto pena dos meus mortos e de mim.
Uma fascinação retorcida
toma conta do instante
e faz o coração gritar
e dançar numa calçada.
A vida fez de mim solidão aprisionada
e adiou a felicidade para um outro tempo.
Trago os olhos cansados
e bebo a luz da tarde com humildade.
Sinto pena dos meus mortos e de mim.
Aceitação da morte assim como ela é:
pequeno cais de todas as sensações à beira do nada!
O coração no centro
Cansaço... não raro
volto ao sonho antigo.
Com os olhos no infinito
me preparo: sei que o tempo
jamais perdoa a distância.
Estou cansado...
não raro, permito meu encontro
com a sua ausência, desesperado!
Fim de tarde... e estou cansado.
Não raro, caminho pelas ruas da cidade.
Fim de tarde... o coração no centro, o sentimento dentro!
volto ao sonho antigo.
Com os olhos no infinito
me preparo: sei que o tempo
jamais perdoa a distância.
Estou cansado...
não raro, permito meu encontro
com a sua ausência, desesperado!
Fim de tarde... e estou cansado.
Não raro, caminho pelas ruas da cidade.
Fim de tarde... o coração no centro, o sentimento dentro!
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Dança comigo
não importa a idade:
quando nos tocamos
quando nos amamos
somos crianças!
e o peso dos anos
as rugas
as lutas
os danos
quando nos tocamos
quando nos amamos
dançamos... desaparecem!
não importa a idade:
quando nos tocamos
a saudade do que passou
do que fizemos... desaparece!
não importa a idade:
quando nos tocamos
quando nos amamos
dançamos... a vida é prece.
quando nos tocamos
quando nos amamos
somos crianças!
e o peso dos anos
as rugas
as lutas
os danos
quando nos tocamos
quando nos amamos
dançamos... desaparecem!
não importa a idade:
quando nos tocamos
a saudade do que passou
do que fizemos... desaparece!
não importa a idade:
quando nos tocamos
quando nos amamos
dançamos... a vida é prece.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Acorde
Olha meu amor
nos meus olhos:
guia-te por eles
e descobre dentro de ti
se é inverno ou primavera.
Pois já te presenteei
com as tonalidades
de um coração enamorado
e te falei de um amor
delicado como os pássaros.
Olha meu amor
nos meus olhos:
guia-te por eles
e descobre dentro de mim
o que sei da saudade.
Pois já te presenteei
com o amor maior que os astros...
nos meus olhos:
guia-te por eles
e descobre dentro de ti
se é inverno ou primavera.
Pois já te presenteei
com as tonalidades
de um coração enamorado
e te falei de um amor
delicado como os pássaros.
Olha meu amor
nos meus olhos:
guia-te por eles
e descobre dentro de mim
o que sei da saudade.
Pois já te presenteei
com o amor maior que os astros...
Outono
outono... as folhas caem.
caminho triste meu caminho.
nenhum ritmo.
apenas a tarde sossegada.
outono... o sol anda pálido
de um lado para o outro
frio!
as árvores estão mudas
e desagasalhadas.
outono... o coração melancólico
perdido na calçada.
caminho triste meu caminho.
nenhum ritmo.
apenas a tarde sossegada.
outono... o sol anda pálido
de um lado para o outro
frio!
as árvores estão mudas
e desagasalhadas.
outono... o coração melancólico
perdido na calçada.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Romaria
Depois que a morta passou restou o silêncio. Um vento
Soprou manso por entre as flores adormecidas depois
Que a morta passou... Uma lágrima fecundou a terra e
O mistério da morte floresceu nos corações enlutados...
Esquecida, depois que a morta passou, caminhou pelas
Pelas ruas da cidade a paz. Depois que a morta passou
Passaram o sonho, a esperança, a alegria. Não a nostalgia.
A prostituta na porta da esquina depois que a morta passou.
Um homem entrou no bar e bebeu com alegria. Choveu e
Há muito não chovia! As coisas mais estranhas e também
Mais frias: o jovem com seu carro, a mãe com suas crias
O padre em seu templo que dizia ser deus todos os dias.
Bem depois que a morta passou cada qual no seu ofício:
O ladrão com seu roubo, o médico com suas receitas
O político com seu vício, o banqueiro com seu negócio
O poeta com seu amor!... Depois que a morta passou
Uma triste romaria seguiu gritando bem alto que a vida
Poeta - a vida que é tão conhecida - de nada, nada valia.
Soprou manso por entre as flores adormecidas depois
Que a morta passou... Uma lágrima fecundou a terra e
O mistério da morte floresceu nos corações enlutados...
Esquecida, depois que a morta passou, caminhou pelas
Pelas ruas da cidade a paz. Depois que a morta passou
Passaram o sonho, a esperança, a alegria. Não a nostalgia.
A prostituta na porta da esquina depois que a morta passou.
Um homem entrou no bar e bebeu com alegria. Choveu e
Há muito não chovia! As coisas mais estranhas e também
Mais frias: o jovem com seu carro, a mãe com suas crias
O padre em seu templo que dizia ser deus todos os dias.
Bem depois que a morta passou cada qual no seu ofício:
O ladrão com seu roubo, o médico com suas receitas
O político com seu vício, o banqueiro com seu negócio
O poeta com seu amor!... Depois que a morta passou
Uma triste romaria seguiu gritando bem alto que a vida
Poeta - a vida que é tão conhecida - de nada, nada valia.
Náufrago
A poesia afastou-se de mim. Formávamos um belo par...
Trazia na memória uma estante completa dos mais belos
Sentimentos, mas a poesia cansou das minhas indecisões
Dos meus atropelos, das lágrimas escondidas que muitas
Vezes rolaram em vão. O cansaço das horas... cicatrizes
Que o corpo esconde, não é poesia. Inutilmente a chuva
Cai, grita o amor: a cama vazia desconhece do corpo as
Formas, o soluço abafado, insistente, desesperado. Não
O barulho trazido agora pelo vento do mar não é poesia.
Também não há poesia nas janelas inquietas das casas...
Nas conversas alegres das mulheres, na seriedade quase
Sempre estúpida dos homens, no beijo apaixonadamente
Simples dos casais. A poesia afastou-se de mim, agora é
Tarde, tarde demais. Um povo luta contra a fome: não é
Poesia. Crianças que brincam nos semáforos da avenida
Crianças que morrem nos finais de semana: não é poesia.
Não é poesia e agora é tarde, muito tarde, tarde demais.
A sala onde trabalho não é motivo de poesia. Os papéis
empilhados, armários, mesas, cadeiras, máquinas, livros
não são fonte de poesia. Carregados de peixes chegam
Os barcos: não trouxeram a poesia. O canto do pássaro
Branco não é poesia. Milhões de bocas, de sonhos, não
são poesia... Descrente caminho pelas praças da cidade:
A embriaguez não traz de volta o desejo louco da poesia.
Não soube decifrar a linguagem. É tarde, tarde demais...
Trazia na memória uma estante completa dos mais belos
Sentimentos, mas a poesia cansou das minhas indecisões
Dos meus atropelos, das lágrimas escondidas que muitas
Vezes rolaram em vão. O cansaço das horas... cicatrizes
Que o corpo esconde, não é poesia. Inutilmente a chuva
Cai, grita o amor: a cama vazia desconhece do corpo as
Formas, o soluço abafado, insistente, desesperado. Não
O barulho trazido agora pelo vento do mar não é poesia.
Também não há poesia nas janelas inquietas das casas...
Nas conversas alegres das mulheres, na seriedade quase
Sempre estúpida dos homens, no beijo apaixonadamente
Simples dos casais. A poesia afastou-se de mim, agora é
Tarde, tarde demais. Um povo luta contra a fome: não é
Poesia. Crianças que brincam nos semáforos da avenida
Crianças que morrem nos finais de semana: não é poesia.
Não é poesia e agora é tarde, muito tarde, tarde demais.
A sala onde trabalho não é motivo de poesia. Os papéis
empilhados, armários, mesas, cadeiras, máquinas, livros
não são fonte de poesia. Carregados de peixes chegam
Os barcos: não trouxeram a poesia. O canto do pássaro
Branco não é poesia. Milhões de bocas, de sonhos, não
são poesia... Descrente caminho pelas praças da cidade:
A embriaguez não traz de volta o desejo louco da poesia.
Não soube decifrar a linguagem. É tarde, tarde demais...
Ofício
procuro a palavra nas ruas
coração espelhos livros bondes
casas muros retratos viagens
no bêbado da noite e no suicida
encontro a pedra
não a pedra do João
a pedra de Sísifo
a pedra rola em mim
deixando seus vestígios
antes o muro nos olhos
agora a pedra e seus indícios
ofício:
arrancar da palavra
a pedra na superfície
procuro a linguagem no corpo
campo flores signos estrelas
quadros cartas poesia espaço
no bêbado da noite e no suicida
: encontro a meta em você
coração espelhos livros bondes
casas muros retratos viagens
no bêbado da noite e no suicida
encontro a pedra
não a pedra do João
a pedra de Sísifo
a pedra rola em mim
deixando seus vestígios
antes o muro nos olhos
agora a pedra e seus indícios
ofício:
arrancar da palavra
a pedra na superfície
procuro a linguagem no corpo
campo flores signos estrelas
quadros cartas poesia espaço
no bêbado da noite e no suicida
: encontro a meta em você
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Chave
foi o olhar... o olhar
foi quem abriu a porta do coração
para o amor entrar.
era um olhar com muita luz!
lá dentro
apetecia entrar nele
tirar a roupa
ficar nu dentro daquele olhar.
correr
navegar... morrer naquele olhar.
foi quem abriu a porta do coração
para o amor entrar.
era um olhar com muita luz!
lá dentro
apetecia entrar nele
tirar a roupa
ficar nu dentro daquele olhar.
correr
navegar... morrer naquele olhar.
Inverno
Faz frio... Os cabelos brancos
refletem a solidão líquida do tempo.
O corpo não sustenta o peso das lágrimas
e faz com que o poeta ande cabisbaixo e melancólico.
(melancólico como os retratos esquecidos nas paredes)
Faz frio... Os mortos sussurram na noite escura.
A ossatura da vida desgastou-se com o tempo:
o poeta anda encurvado
e não responde mais a nenhuma pergunta.
Está frio e distante de todos.
Faz frio... O presente não traz mais os seus fantasmas.
Apenas o passado, abrindo as janelas do coração
deixa escapar o pássaro louco da lembrança...
E como dói!
para Déa Thompson
refletem a solidão líquida do tempo.
O corpo não sustenta o peso das lágrimas
e faz com que o poeta ande cabisbaixo e melancólico.
(melancólico como os retratos esquecidos nas paredes)
Faz frio... Os mortos sussurram na noite escura.
A ossatura da vida desgastou-se com o tempo:
o poeta anda encurvado
e não responde mais a nenhuma pergunta.
Está frio e distante de todos.
Faz frio... O presente não traz mais os seus fantasmas.
Apenas o passado, abrindo as janelas do coração
deixa escapar o pássaro louco da lembrança...
E como dói!
para Déa Thompson
Seus olhos
Que estrelas tontas
caíram nos seus olhos?
Que raio doido neste olhar
que me destina, fascinado
a morrer de amar?...
caíram nos seus olhos?
Que raio doido neste olhar
que me destina, fascinado
a morrer de amar?...
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Sina
Não um poema
que descrevesse
o brilho dos teus olhos
procurando-me esta manhã...
mas um poema
que soubesse dizer
da perfeita mudez
dessa hora quando te encontro:
esboço de luz
saudando o entendimento
de tudo que sinto, de tudo que minto.
que descrevesse
o brilho dos teus olhos
procurando-me esta manhã...
mas um poema
que soubesse dizer
da perfeita mudez
dessa hora quando te encontro:
esboço de luz
saudando o entendimento
de tudo que sinto, de tudo que minto.
Balanço
Hoje não tem poesia
porque uma criança morreu
e perdemos nosso tempo
discutindo o de sempre.
Não tem poesia
porque a justiça fugiu de nós
envergonhada, com os olhos
tristes e distantes.
Hoje não escrevo
porque o dia não trouxe a luz
das manhãs. Ela ficou escondida
nos morros, vermelha de sangue.
Uma criança morreu e somos todos culpados!
Hoje não tem poesia
porque as ruas estão cheias de crianças
e nada fazemos. Não escrevo
porque o morro saiu às ruas
e me vi no meio deles.
Não, não tem poesia
porque somos mentirosos:
amamos a guerra, o ódio, a destruição.
Uma criança morreu e ficamos indiferentes.
Gritamos por fraternidade
e construímos a desigualdade.
Hoje não tem poesia, porque
uma criança morreu e somos todos culpados!
porque uma criança morreu
e perdemos nosso tempo
discutindo o de sempre.
Não tem poesia
porque a justiça fugiu de nós
envergonhada, com os olhos
tristes e distantes.
Hoje não escrevo
porque o dia não trouxe a luz
das manhãs. Ela ficou escondida
nos morros, vermelha de sangue.
Uma criança morreu e somos todos culpados!
Hoje não tem poesia
porque as ruas estão cheias de crianças
e nada fazemos. Não escrevo
porque o morro saiu às ruas
e me vi no meio deles.
Não, não tem poesia
porque somos mentirosos:
amamos a guerra, o ódio, a destruição.
Uma criança morreu e ficamos indiferentes.
Gritamos por fraternidade
e construímos a desigualdade.
Hoje não tem poesia, porque
uma criança morreu e somos todos culpados!
sábado, 10 de setembro de 2011
Instante
A igreja fica distante das casas.
Entre elas, a praça
onde o vento varre as folhas caídas:
borboletas e pétalas na tarde dourada!
Pessoas caminham distraídas...
As calçadas formam uma imensa língua
e a boca da rua mostra seus dentes
na noite nua que agora cai sobre os telhados.
Um cheiro de solidão sopra leve
e balança os fios elétricos.
A cruz da velha igreja
mostra que o mundo é frio e cinza e triste
e que caminhamos arrastando nossa história.
(ficamos cravados no tempo
e nas paredes das casas)
A noite decide entrar.
A lua brinca com as nuvens
e as janelas engolem sua luz.
Um cheiro de solidão sopra leve
e o sussurro do vento adormece a cidade...
Entre elas, a praça
onde o vento varre as folhas caídas:
borboletas e pétalas na tarde dourada!
Pessoas caminham distraídas...
As calçadas formam uma imensa língua
e a boca da rua mostra seus dentes
na noite nua que agora cai sobre os telhados.
Um cheiro de solidão sopra leve
e balança os fios elétricos.
A cruz da velha igreja
mostra que o mundo é frio e cinza e triste
e que caminhamos arrastando nossa história.
(ficamos cravados no tempo
e nas paredes das casas)
A noite decide entrar.
A lua brinca com as nuvens
e as janelas engolem sua luz.
Um cheiro de solidão sopra leve
e o sussurro do vento adormece a cidade...
Tempo
o segredo bem guardado
um vento soprando leve
levando a vida que é breve... tempo!
a noite descendo nas casas
o dia partindo com pressa
o sonho que perde as asas... tempo!
um canto triste e sombrio
a morte nas águas do rio
no peito esse grande vazio... tempo!
um vento soprando leve
levando a vida que é breve... tempo!
a noite descendo nas casas
o dia partindo com pressa
o sonho que perde as asas... tempo!
um canto triste e sombrio
a morte nas águas do rio
no peito esse grande vazio... tempo!
Invenção
Quando estou triste
invento um sorriso que não mais existe.
Invento um dia azul, uma palavra branca
e outros sentimentos que o coração permite.
Invento um olhar diferente
e uma lágrima simples, quando estou triste!
Quando estou triste
abandono a sensação estranha de que tudo acabou.
(a chuva cai devagar, em soluços)
Quando estou triste, falo de amor sem mentiras.
Invento a estrela rara, que me ilumina
e inverte a minha sina...
invento um sorriso que não mais existe.
Invento um dia azul, uma palavra branca
e outros sentimentos que o coração permite.
Invento um olhar diferente
e uma lágrima simples, quando estou triste!
Quando estou triste
abandono a sensação estranha de que tudo acabou.
(a chuva cai devagar, em soluços)
Quando estou triste, falo de amor sem mentiras.
Invento a estrela rara, que me ilumina
e inverte a minha sina...
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Cotidiano
Triste
saber que a casa
não mais ouvirá seu canto.
Nada invento!
Na metade da garganta o espanto:
sua falta é sentida em sal e dano.
Tudo sinto!
Na canção que canto
assombro e solidão.
Triste
é não mais sentir sua presença
onde habito:
apenas sombra do que sonhamos
inútil, inundada de anos...
saber que a casa
não mais ouvirá seu canto.
Nada invento!
Na metade da garganta o espanto:
sua falta é sentida em sal e dano.
Tudo sinto!
Na canção que canto
assombro e solidão.
Triste
é não mais sentir sua presença
onde habito:
apenas sombra do que sonhamos
inútil, inundada de anos...
Intimidade
Um coração sem planos
com sentimentos naufragados:
o meu.
Que não sabe o que é o sol
porque nasce e morre sempre à noite.
Depois que o amor me visitou
um coração com danos...
- mas a lembrança antiga
insistente, no fundo dos olhos -
Depois que o amor me visitou
uma estreita intimidade
com a dor e com a saudade!
para Rafaéla
com sentimentos naufragados:
o meu.
Que não sabe o que é o sol
porque nasce e morre sempre à noite.
Depois que o amor me visitou
um coração com danos...
- mas a lembrança antiga
insistente, no fundo dos olhos -
Depois que o amor me visitou
uma estreita intimidade
com a dor e com a saudade!
para Rafaéla
Dedução
escura e fria a cidade.
não sei de onde
o cheiro dos ipês da minha terra.
saudade!
a lembrança corta feito navalha
e expõe minhas fraquezas...
sou triste
porque é da minha natureza.
o convívio com as lágrimas
fez de mim homem seco.
sou assim: escrevo o que vivi.
esta é a minha metafísica!
para Regina Xavier
não sei de onde
o cheiro dos ipês da minha terra.
saudade!
a lembrança corta feito navalha
e expõe minhas fraquezas...
sou triste
porque é da minha natureza.
o convívio com as lágrimas
fez de mim homem seco.
sou assim: escrevo o que vivi.
esta é a minha metafísica!
para Regina Xavier
Poema perdido
ontem perdi um poema...
caminhava só.
não houve choro.
não houve gritos.
perdi um poema
e o mundo continuou o mesmo!
perdi um poema
bem no meio da avenida
e o céu continuou azul.
perdi um poema... ali
do lado esquerdo de quem vive só!
caminhava só.
não houve choro.
não houve gritos.
perdi um poema
e o mundo continuou o mesmo!
perdi um poema
bem no meio da avenida
e o céu continuou azul.
perdi um poema... ali
do lado esquerdo de quem vive só!
Paz
O cheiro da tarde tomou conta de todos
e o perfume das flores do jardim
brincava alegremente com a brisa que passava.
Cantávamos envolvidos pelo sol!
(nenhuma sombra naquele dia)
Um vento solitário encontrou abrigo
nas árvores do quintal. As folhas dançavam
e caíam displicentes.
Crianças faziam barquinhos de papel.
O rio molhava as pernas das mulheres
e a conversa dos homens.
Navegávamos envolvidos pela música!
(nenhuma sombra naquele dia)
A casa com suas janelas abertas
abraçava o mundo
e o mundo cantava e sorria naquele dia.
Nenhuma guerra, nenhuma notícia de jornal...
nada.
Uma tarde de paz!
Os pássaros faziam seus ninhos
no silêncio da esperança.
Cantávamos silenciosamente felizes naquele dia!
e o perfume das flores do jardim
brincava alegremente com a brisa que passava.
Cantávamos envolvidos pelo sol!
(nenhuma sombra naquele dia)
Um vento solitário encontrou abrigo
nas árvores do quintal. As folhas dançavam
e caíam displicentes.
Crianças faziam barquinhos de papel.
O rio molhava as pernas das mulheres
e a conversa dos homens.
Navegávamos envolvidos pela música!
(nenhuma sombra naquele dia)
A casa com suas janelas abertas
abraçava o mundo
e o mundo cantava e sorria naquele dia.
Nenhuma guerra, nenhuma notícia de jornal...
nada.
Uma tarde de paz!
Os pássaros faziam seus ninhos
no silêncio da esperança.
Cantávamos silenciosamente felizes naquele dia!
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Manhã
Manhã
o sol fareja minha face com seus raios.
Os olhos abertos e vejo o mundo
nascendo com seus sons e suas cores.
Ouço vozes de um outro tempo
que acariciam o corpo: família...
Manhã
o sol aquece a solidão fria do quarto.
Um canto conhecido abre as janelas da casa.
O cheiro quente e alegre do café
salta da memória e invade o dia.
- a lembrança dos irmãos asfixia
o coração do poeta -
No sangue o sorriso
o jeito triste de olhar as coisas
as portas quebradas da casa velha
a rua da infância, o número 190
o pé-de-moleque escondido na cristaleira
a cidade adormecida
o sino da igreja
a doença do pai
a morte da mãe
a morte da irmã... No sangue a herança!
Manhã
o pensamento carregado de agonia.
Vem de longe a saudade.
para Vera Xavier
o sol fareja minha face com seus raios.
Os olhos abertos e vejo o mundo
nascendo com seus sons e suas cores.
Ouço vozes de um outro tempo
que acariciam o corpo: família...
Manhã
o sol aquece a solidão fria do quarto.
Um canto conhecido abre as janelas da casa.
O cheiro quente e alegre do café
salta da memória e invade o dia.
- a lembrança dos irmãos asfixia
o coração do poeta -
No sangue o sorriso
o jeito triste de olhar as coisas
as portas quebradas da casa velha
a rua da infância, o número 190
o pé-de-moleque escondido na cristaleira
a cidade adormecida
o sino da igreja
a doença do pai
a morte da mãe
a morte da irmã... No sangue a herança!
Manhã
o pensamento carregado de agonia.
Vem de longe a saudade.
para Vera Xavier
Elegia
Escondidas no sorriso claro da noite
Recolher estrelas, procurar palavras
Como artigos raros de inventário...
Repeti-las sempre, sempre e sempre
Até que o corpo marcado e cansado
Esqueça as feridas que o amor deixou.
Escondidas no mar esquecido da História
Recolher palavras, porque é Lusa a língua
Que falamos; o encontro que pretendemos.
Mas é preciso retirar-lhe o véu do corpo
Encontrar-lhe os misteriosos portos não
Tocados e mostrá-los abertos aos sentidos.
Escondida no perfume quente da pele
Encontrar você, que povoa meus sonhos
E desvenda minha sina. Porque estou
Amarrado à sombra do seu jeito, invento
Banhada em velho sal, imagem cristalina
E vento e maresias e o sol do fim do dia.
Escondidos no verde-claro da manhã
Encontrar caminhos... Que as palavras
São cultivadas sempre com espinhos.
Porque a vida não é fácil assim sozinho
E joga contra o destino a sua vontade
Como a língua é desvendada com a chave!
Recolher estrelas, procurar palavras
Como artigos raros de inventário...
Repeti-las sempre, sempre e sempre
Até que o corpo marcado e cansado
Esqueça as feridas que o amor deixou.
Escondidas no mar esquecido da História
Recolher palavras, porque é Lusa a língua
Que falamos; o encontro que pretendemos.
Mas é preciso retirar-lhe o véu do corpo
Encontrar-lhe os misteriosos portos não
Tocados e mostrá-los abertos aos sentidos.
Escondida no perfume quente da pele
Encontrar você, que povoa meus sonhos
E desvenda minha sina. Porque estou
Amarrado à sombra do seu jeito, invento
Banhada em velho sal, imagem cristalina
E vento e maresias e o sol do fim do dia.
Escondidos no verde-claro da manhã
Encontrar caminhos... Que as palavras
São cultivadas sempre com espinhos.
Porque a vida não é fácil assim sozinho
E joga contra o destino a sua vontade
Como a língua é desvendada com a chave!
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Saudade
O amor que nunca tive
nada sabe
das visitas inesperadas que me faz.
O amor que nunca tive
nunca soube
dos nossos encontros inesperados.
O amor que nunca tive
meu amor inventou
na vida que rola renascendo outra.
Construção e desmoronamento:
meu amor
o amor que nunca tive
perdeu-se no mistério do tempo.
O amor que nunca tive
desapareceu completamente!
Nas horas eternas, congeladas
ficou a saudade
querendo voar com os pássaros...
para Rafaéla
nada sabe
das visitas inesperadas que me faz.
O amor que nunca tive
nunca soube
dos nossos encontros inesperados.
O amor que nunca tive
meu amor inventou
na vida que rola renascendo outra.
Construção e desmoronamento:
meu amor
o amor que nunca tive
perdeu-se no mistério do tempo.
O amor que nunca tive
desapareceu completamente!
Nas horas eternas, congeladas
ficou a saudade
querendo voar com os pássaros...
para Rafaéla
Fotografia
A casa velha
nenhuma recordação de mim...
na parede quadros e fotos
assim: amarelos, esquecidos!
A casa velha
não ouço o sussurro do vento.
O telefone não toca mais... apenas lamento.
A casa velha
nenhuma recordação de mim.
nenhuma recordação de mim...
na parede quadros e fotos
assim: amarelos, esquecidos!
A casa velha
não ouço o sussurro do vento.
O telefone não toca mais... apenas lamento.
A casa velha
nenhuma recordação de mim.
Sereno
A chuva cai mansa sobre a tarde.
Devoro o cheiro da terra molhada
E nascem flores em minha boca:
As palavras saem perfumadas
E convido o instante à eternidade.
A chuva cai mansa sobre a tarde.
Os pingos da chuva lambem
Minha pele: arrepios pelo corpo.
Os olhos se entregam docemente
E aceitam o que a tarde esconde.
A chuva cai mansa sobre a tarde.
Ando com pedaços de passado
Na memória, que insistem graves.
Mas a tarde pede para que amemos
Desesperadamente, sem entraves.
A chuva cai mansa sobre a tarde.
Me distancio da morte em segredo:
Como quem renasce... perde o medo
Das coisas tristes, de envelhecer...
O que sinto tem a cor do entardecer!
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