Há um cheiro de angústia
nesta manhã que abre o dia.
Mesmo não querendo ver vejo
o sonho a se rachar no tempo.
Do tempo bebo teus desígnios
aceitando o que restou perdido.
Há um cheiro de angústia
nesta manhã que abre o dia.
E éramos nós, eu e o sonho
buscando no outro o caminho
desconhecido da esperança.
Do tempo bebo teus desígnios...
E nos perdemos, o sonho e eu
na linguagem única dos homens
rastro do que não se alcança.
Há um cheiro de angústia
nesta manhã que abre o dia.
...
Sinto o sopro da memória
me assaltando novamente.
Devoro auroras e crepúsculos.
O sonho vem me salvar do medo:
liberto estou e recomeço!
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