Vem da chuva meu poema.
Desse rio
mar
(que insiste no quintal da casa)
onde mergulho em minha infância.
Vem das chuvas...
Deixo o barco ancorado
no cais da Monteiro da Gama
190.
Entro no poema
e sinto o cheiro da alfazema
que minha mãe guardava
na gaveta da cômoda do quarto.
A casa era simples
e no varal dos dias
havia sonhos secando ao sol.
Vem da chuva. Dos sons da chuva
essa voz insistente que chama
que grita meu nome e me persegue:
é a voz da minha cidade, dos meus mortos
às vezes esquecidos!
Meus irmãos
penhaandréveracaléumalenaregina
caminham abandonados no coração
do homem maduro (menino)
que chora de saudade
perdido na angústia de viver.
Caminham na chuva do tempo...
Vem da chuva meu poema.
Da minha alma partida
que em silêncio segue seu curso:
rio
mar
da vida.
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