havia o jardim da pracinha
onde as rosas eram colhidas
sempre à noite e em silêncio.
havia a casa da rua vinte e um
onde morava a bela menina
que roubava nossos sonhos.
havia o gesto simples de amar
e o sorriso alegre e necessário
ofertado sempre aos amigos.
existiam as manhãs ensolaradas
e as diversas ruas e escadas
que terminavam quase sempre
no colégio do fim da avenida.
havia o gesto simples de amar
a doce professora de história
(mesmo que sufocado e triste).
existiam aqueles mais próximos:
andávamos perseguindo sonhos
desconstruindo a vida e o tempo
falando dos encontros futuros
que nos aqueceriam na saudade!
...
hoje arrasto meu corpo no mundo.
existe o gesto de amar - mas mudo.
há um jardim sem rosas - é tudo -
onde alimento os sonhos-pássaros
com pedaços pequenos de saudade...
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